segunda-feira, 3 de abril de 2023

Resenha: Lua Azul - Os Imortais Volume 2

 


“Não Há problema em parecer fraca, mas ceder à fraqueza é inadmissível”.

FICHA TÉCNICA
• Título: Lua Azul
• Autora: Alyson Noël
• Série: Os Imortais, volume 2
• Editora: Intrínseca
• Edição: 2009
• Páginas: 256
• Formato: 16 X 23 cm
• ISBN: 978.85.98078.82.3
• Gênero: romance sobrenatural/literatura juvenil
• Tradução: Flávia Souto Maior
• Revisão: Umberto Figueiredo Pinto e Ana Julia Cury

SINOPSE:
 Ever é agora uma imortal. Iniciada nesse mundo desconhecido e sedutor por seu eterno amado, Damen, está empenhada em conhecer e dominar suas novas habilidades, mas algo terrível começa a acontecer. Acometido por uma doença misteriosa que ameaça, inclusive, sua memória, Damen não percebe que seus poderes estão se esvaindo – enquanto Ever se sente cada vez mais forte. Desesperada para salvá-lo, ela viaja até a dimensão mística de Summerland, onde não apenas toma conhecimento da misteriosa história de Damen, brutal e torturante, mas, também tem acesso aos segredos que regem o tempo. Com a Lua Azul, que se aproxima, anunciando uma oportunidade única de se projetar para o passado ou para o futuro, Ever é forçada a decidir entre voltar no tempo e impedir o acidente que tirou a vida de toda sua família ou ficar no presente e salvar Damen, que parece definhar a cada dia.

“Summerland é famosa pelos seus templos, Grandes Salões do Conhecimento. Acho que sua resposta está lá”.

ASPECTO FÍSICO: As capas de toda a série são belíssimas, e a de Lua Azul não é diferente. A imagem de Ever ao fundo, iluminada por um feixe de raio anil que sai da bola de cristal que segura, mostrando-lhe um campo florido... a capa é toda opaca, tendo apenas a bola de cristal, como uma mini Lua, bem como a mão que a segura, em acabamento de verniz localizado. Título simples, tudo sem exagero, sem aquela poluição visual que machuca os olhos. Pelo contrário, a capa é atraente. A contra capa segue o mesmo estilo da anterior, com o arabesco contornando a sinopse, combinando a cor com o título, ou seja, azul. A diagramação é simples, corrida, sem aquela pausa de capítulos começando sempre em páginas ímpares. As letras são miúdas, dificultando a leitura, porém, o papel amarelinho – pólen soft – ajuda a não refletir a luz, algo que atrapalha bastante no papel branco.

“Pensamentos são energias. E Summerland consiste em energia rápida, intensa e ampliada. Tão intensa que é possível lê-la”.

ENREDO: Ever escolheu seu caminho e se tornou uma imortal. Ao contrário do que diz a sinopse, ela não se empenha nos ensinamentos de Damen, a mocinha se prende no passado do rapaz e nas vidas que perdeu, focando-se no ciúme doentio que sente pelo namorado com a já extinta Drina. E essa futilidade se reflete mais tarde, quando ela percebe que deveria ter aprendido mais. A vida segue às mil maravilhas, porém, a perfeição não existe nem para os imortais. Surge um novo personagem na escola, aparentemente inofensivo. Roman é um inglês bonito, simpático, com uma aura intensa, divertido e descolado. Ele ganha a atenção e a confiança dos amigos de Ever, inclusive de Damen, exceto a dela. Ever estranha toda a perfeição – supostamente humana e normal – de Roman, e isso mantém sua intuição em alerta. Aos poucos, ela percebe Damen se afastando, parecendo doente e vulnerável, algo que não deveria acontecer, enquanto Roman a espreita. Quando se dá conta, toda a escola, incluindo Damen, está contra ela, nem os professores escapam. Sozinha, Ever busca apoio em Ava, a médium que teve participação sutil no primeiro livro e que, agora, se torna uma companheira primordial à protagonista. Unidas, ambas conseguem abrir o portal para Summerland, e é nessa dimensão que duas novas personagens intrigantes aparecerem, as gêmeas idênticas Romy e Rayne. Como que saídas de um anime, as gêmeas são assim descritas pela autora, estereotipando-as. As meninas são sábias e misteriosas, conduzindo os leitores a levantar inúmeras teorias sobre elas – a minha é a de que as gêmeas são filhas de Ever e Damen em um futuro distante, por isso que só se fazem real em Summerland. – Ever tem acesso ao Templo do Conhecimento e aos Registros Akáshicos, conhecendo o passado e o futuro. Há uma urgência para que tudo seja resolvido, e Ever comete uma besteira atrás da outra, tomando a pior das decisões.

“Todas as nacionalidades e religiões estão presentes, sem tirar nem pôr, e todas coexistem em paz”.

MINHAS CONSIDERAÇÕES: A narração em primeira pessoa continua pipocando do presente para o passado. Ainda não consigo gostar de uma história desse naipe contada no presente, não me laço ao enredo, não tenho aquela familiar sensação de ser “amiga” da protagonista, que vai narrando os fatos em tempo real – creio que esse seria o objetivo desse tipo de escrita. – A sensação que me causa é a de um jogo esportivo narrado com superficialidade. Não estou tirando o mérito da autora, isso é algo meu, minhas emoções perante a leitura. Em contrapartida, é um deleite adentrar nesse mundo místico e alquímico, imaginando as descrições das cenas e criando-as na mente. Alyson Noël é imprevisível na escrita. Quando achamos que ela entrega o ouro e não há mais nada além do drama de Ever, novos suspenses nos tomam. Alguns pontos me deixaram em alerta na escrita. Summerland é um desses pontos. Fugindo do que diz a maioria dos praticantes da neo-wicca, Summerland está longe de ser como Avalon, tornando-se uma dimensão neutra. Por um momento, acreditei que a autora faria um sincretismo desse mundo com todas as religiões, o que seria definitivamente perigoso. Por sorte, além da neutralidade, ela colocou Summerland como união de forças universais, um mundo de felicidade – conforme a citação acima, que tira Summerland do patamar de Avalon e o coloca como um acesso livre de estigmas ou dogmas religiosos, um ponto de encontro de quem corre atrás de paz ou de sabedoria. – Outro ponto que me chocou, e que não teve um pingo de explicação – sim, a autora errou aqui –, foi todo esforço e energia desprendida para Ever e Ava conseguirem tudo que precisavam para um feitiço extremamente complicado e para uma criação alquímica suntuosa. Conseguiram os ingredientes, seguiram o passo a passo. O elixir foi recriado, e esse ponto foi explicado, entregue nas mãos de Ava e fim de papo. A parte da magia foi simplesmente desnecessária. Ever, que nunca teve contato com esse tipo de prática, nunca estudou a arte, simplesmente se embrenha na mata que lhe é desconhecida, um ritual cheio de passos importantes, dificílimos, com materiais de acesso ainda mais restrito, complicando muito as coisas, como se esse tipo de magia fosse mais poderosa e suntuosa por conta de todas essas... não sei nem como denominar... Piorando a situação, Ever era totalmente descrente! Em certo momento, a autora faz a protagonista dizer “magia branca”, uma ofensa a muitos. Aliás, toda essa brincadeira com a magia foi uma ofensa a quem se dedica à arte, e encerro aqui meus comentários sobre assunto, não pretendo discorrer mais que isso, ou a resenha ficaria extensa, pois meus argumentos são longos. Findando: sem experiência, sem acreditar em nada, tendo seu ritual interrompido, tudo dá certo – e minha raiva só aumenta. – Um ponto positivo, os erros da protagonista a tornam mais "real", identificável, lapsos condizentes com a idade de Ever. Portanto, não foi um erro, e sim um estranho acerto. Não gosto de protagonistas que nunca erram.

“Summerland abriga a possibilidade de todas as coisas. E como pessoas diferentes desejam coisas diferentes, quase tudo que podem imaginar é transformado em realidade”.

NOTA FINAL: O enredo é gostoso, ainda que não seja o ponto alto da série. Para quem gosta de drama adolescente e suspense óbvio, é um prato cheio. É preciso ter a mente aberta e muita paciência com os dogmas “magísticos” que a autora impôs na série. Aos leigos, é uma maravilha que deveria ser aplaudida. Aos conhecedores, é algo para ser fitado de esguelha e analisado com muito cuidado. A série é muito boa, e quando nos prendemos apenas nas tramoias dos personagens, nos suspenses entre os imortais e no romance entre Ever e Damen, dá para levar a leitura até o fim sem enfado. Recomendo, pois sinto que os próximos volumes nos trarão um mundo ainda mais intrigante.

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