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Dia 20 de julho de 2014.
Eu ainda esperava pela maldição de todo dia vinte de julho. Porém, até aquele momento, nada havia acontecido. Vi meus colegas receberem seus prêmios, e eu recebi o meu. Mesmo assim, o dia estava longe de acabar. Depois dessa entrega, ainda teria que enfrentar um coquetel. Não queria ficar e apreciar toda aquela palhaçada repleta de fatuidades, tinha coisa melhor para fazer, como me sentar de frente ao computador e escrever.
Enquanto todos estavam distraídos com falsos abraços e falsos elogios, levantei-me e saí. Na verdade, corri como uma desvairada, sem rumo, sem destino... Uma fuga de mim mesma, da tristeza que me assolava, da data idiota que marcava um ano sem meu herói. Nessa fuga, fui atingida violentamente por um carro.
Não senti dor. Não senti nada. Lembro-me de estar caída e com muitas pessoas ao meu redor, gritando exasperadas. Tombei minha cabeça para o lado e vi o garotinho ruivo. Ele sorriu e apontou para o relógio em meu pulso. Reuni forças para me mexer e conferi as horas.
Dezessete horas e vinte e nove minutos.
Minhas forças se esvaíram e meus olhos se fecharam...
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A mesa estava enfeitada, e um lindo bolo confeitado, com raspas de chocolate e cerejas, completava o adorno. Ele estava sentado ao lado, com a mesma aparência de quando nos vimos pela última vez, com seus cabelos grisalhos e brilhantes olhos azuis. Um jardim exímio estampava o fundo daquele quadro.
Aproximei-me em lentos passos. Ele se levantou e puxou a cadeira para que eu me sentasse. Depois, retornou para seu lugar e me fitou com um olhar intensamente feliz.
Confusa, deixei que as lágrimas escorressem pela minha face. Ele estava ali, perfeitamente saudável, lindo, sorridente, externando felicidade plena.
Ele secou minhas lágrimas delicadamente com a ponta dos polegares. Depois, sempre mantendo o sorriso nos lábios, meu pai falou:
— Por que demorou tanto para me servir seu bolo? Senti sua falta. Feliz aniversário, Érica. E seja bem vinda ao paraíso.
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Sua Falta – Autoria: Vanessa Araujo – da obra Acasos da Vida.
Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do código penal.

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