POÉTICA

 


Minha fase poética surgiu de forma inesperada. Normalmente, a poesia vem como enxurrada na mente dos apaixonados. Para mim, ela veio em momentos de fúria, enquanto eu escrevia a série Filhos do Pecado, onde abria cada capítulo com jogos de palavras em versos rimados. Não sei dizer exatamente se o que fiz foi poema ou poesia, afinal, os grandes experts dizem que têm diferenças. Acredito que tenha, porém, as desconheço. Também não faço questão de procurar saber, eis algo que não me interessa. E não digo isso por arrogância nem nada do tipo... apenas entendo que esse tipo de escrita vem de dentro, nasce na alma, no mais profundo âmago. Como isso pode ser estudado e estruturado? Por que deve existir uma regra para ordenar as palavras que simplesmente brotam? Na música, a letra se adequa à melodia, seguindo o compasso. Na literatura, bem... eu não consigo entender o motivo de precisar de tantas sílabas para isso e não sei quantos fonemas para aquilo. Palavras são palavras, elas existem para que possamos nos expressar, seja com textos, contos, crônicas, cartas, diários, livros, poemas, poesias... eu apenas deixo fluir. Se serei julgada por isso? Claro que sim! O simples fato de eu respirar já é motivo para instalarem a nova inquisição, porque eu sou a pecadora mor deste mundo, enquanto o resto das pessoas cabe dentro do cubículo da santidade. Eu sou círculo, o mundo é quadrado. Fim de papo!


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