sexta-feira, 22 de setembro de 2023

Resenha: Infinito - Os Imortais, Volume 6

 


"Uma certeza eu tenho: não estamos levando a vida que deveríamos. Nosso corpo é imortal, isso é verdade, mas está claro que nossa alma não é. Nossa vida zomba das leis mais fundamentais da natureza. Somos o oposto do que deveríamos ser".

FICHA TÉCNICA
• Título: Infinito
• Autora: Alyson Noël
• Série: Os Imortais, volume 6
• Editora: Intrínseca
• Edição: 2011
• Páginas: 234
• Formato: 16 X 23 cm
• ISBN: 978.85.8057.069.4
• Gênero: romance sobrenatural/literatura juvenil
• Tradução: Flávia Souto Maior
• Revisão: Leonardo Alves, Shirley Lima


SINOPSE:
 Após derrotarem seus inimigos mais temidos, Ever e Damen começam uma nova jornada para que ele se livre do veneno em seu corpo. Se encontrarem o antídoto, finalmente serão capazes de viver a paixão pela qual anseiam há séculos. A busca, porém, leva-os a um terreno desconhecido e pavoroso - as profundezas de Summerland. Lá, eles descobrirão a origem obscura e inimaginável de seu relacionamento, e serão obrigados a encarar uma dolorosa verdade: o destino tem motivos para mantê-los separados. Agora, o futuro dependerá de uma única decisão, que poderá pôr em risco tudo que eles têm, inclusive a imortalidade.

"Sempre que olho minha imagem, só enxergo coisas que gostaria de mudar. Sempre que Damen olha para mim, só enxerga um lindo presente do universo. A verdade está em algum lugar no meio do caminho".

ASPECTO FÍSICO: Com uma das capas mais bonitas da série, Infinito encerra a jornada de Ever com chave de ouro. Dessa vez, nosso encanto recai sobre o casal apaixonado estampando a capa – e afastados um do outro, enfatizando o problema que ambos não conseguiram resolver ao longo do cansativo percurso que se iniciou de verdade no final do primeiro livro; onde a imaginação da autora se estagnou e ela não foi capaz de inventar nada novo para os livros seguintes. – Por entre o casal, uma flor de lótus lilás. Ao primeiro momento, estranhei a cor da flor. Depois, com o desenrolar do enredo, entendi a referência tanto da cor quanto da flor. O conjunto, de certa forma, ficou bonito, leve, harmonioso. O brilho localizado sobre a flor de lótus dá profundidade no fundo opaco. A contra capa voltou ao tom frio e “sonolento” de antes no arabesco que emoldura a sinopse. Se em Estrela da Noite a equipe trabalhou para destacar com o vermelho aberto e intenso, nessa edição o trabalho foi na via contrária, para apagar, deixando o ênfase para a imagem frontal. O miolo segue conforme as especificações anteriores, então, para não me estender em assunto repetitivo, encerro o tópico por aqui.

“A jornada é longa, árdua, mas a recompensa é muito boa. A verdade traz a felicidade verdadeira. Mas apenas os puros de coração podem tê-la. A jornada é sua, e apenas sua".

ENREDO: As mortes provocadas por Ever maculam Summerland, infectando-a com uma parte sombria. Aliás, desde os últimos episódios do livro anterior, seguindo nessa jornada, Infinito começa enfatizando que já faz duas semanas que Ever não volta para casa de Sabine, abrigando-se na mansão de Damen. Ela se lembra de sonhos antigos que a perturbaram e que estão conectados com o novo cenário obscuro e tenebroso de Summerland. A idosa do lado sombrio de Summerland profere enigmas que atraem Ever e repelem Damen. Ela lhes passa uma sequência de números: 8, 8, 13, 0, 8. Depois de tentar, frustradamente, com a ajuda de Damen e de Jude, buscar respostas nos Grandes Salões do Conhecimento, Ever tem uma ótima ideia no pavilhão secreto – onde compartilha suas vidas passadas com o namorado. – Uma ideia que nem mesmo ele conseguiu conceber. Porém, Damen a refuta, frustrando Ever, que não se dá por vencida e logo se impõe, levando-o à parte sombria de Summerland. Ambos esperam pela anciã, que demora a aparecer. E quando surge, Ever a confronta, arrancando mais informações, como o nome dela – Lótus – e o que realmente quer. Lótus a trata com reverência, clamando para que Ever a salve daquele lugar, e a todos os outros que estão presos ali. Em uma reunião no mundo físico, com todos os amigos que conhecem o segredo do casal – ou seja, Jude, Miles, Ava e as gêmeas –, eles descobrem o simbolismo da flor de Lótus, que representa justamente a jornada de resiliência, superação, o sair da lama em direção à luz, evolução espiritual – referência à capa do livro. – Ever aceita fazer a jornada que Lótus propõe, em busca de respostas. Jude a acompanha, já que Damen é impedido a isso pela própria Lótus. Na nova realidade, surge uma nova – ou velha – versão de Damen: Alrick, assim como outros personagens, principalmente Esme (Drina) – a prima rica e mimada de Adelina (Ever), prometida a Alrick – e Rhys (Roman) – irmão mais novo e invejoso de Alrick; Heath (Jude), melhor amigo de Alrick desde a infância e escudeiro fiel do rei, apaixonado por Adelina; e Fiona (Haven), irmã de Esme, apaixonada por Rhys. Alrick e Adelina resolvem se casar em segredo, tendo o mais improvável dos cúmplices nessa empreitada: Rhys. É ele quem busca Adelina no meio da noite e a entrega ao irmão, que a aguardava ansiosamente na cabana de caça. A sós, o casal se segura para conter os ímpetos. Eles se acalmam e adormecem. Adelina sonha... um sonho profético e tenebroso. Ela acorda subitamente. Assustada, alarmada, ciente do aviso do universo, atende aos anseios do seu coração e... FINALMENTE... o casal se entrega ao amor carnal. Desse ponto em diante, as aventuras começam, a jornada de Ever se desenrola, e um destino certo a conduz ao infinito. Mas o antídoto, que eles conseguem, não é a real solução para tudo. Bem ou mal, ainda que vivam felizes por muitos e muitos séculos, o fim da jornada é o fim da alma. É quando Lótus apresenta a solução definitiva para Ever: A Árvore da Vida, cujo fruto traz iluminação, conhecimento da verdadeira imortalidade, a imortalidade da alma, assim como reverte a falsa imortalidade física dos que foram enganados com o elixir. Apenas Ever pode encontrar a Árvore da Vida e trazer seu fruto. Porém, Damen não acredita nessa possibilidade, mostrando-se firme e irredutível em sua posição, ansiando apenas em regressar ao mundo físico, tomar o elixir e viver como sempre sonhou, ao lado de Ever, sem barreiras, com o amor pleno. Ele argumenta, dizendo que a Árvore da Vida é um mito, uma lenda mística. E mesmo que existisse, ela daria apenas um fruto a cada mil anos, um fruto que proporciona imortalidade a quem pegá-lo primeiro. Ever tem duas opções, dois argumentos opostos que a convencem, e precisa tomar uma decisão: reverter o carma e viver em plenitude, como realmente deveria ser, seguindo o curso natural da existência, com a imortalidade da alma, e não do corpo... ou ficar com Damen, tomar o elixir e vivenciar o amor falsamente eterno com o que sempre sonhou. Se escolher a primeira opção, perderá Damen. Se escolher a segunda, perderá sua alma e qualquer chance de reencarnação.

“Passamos a vida dando atenção a todas as coisas erradas, nossa razão e nosso ego nos desviando do caminho, fazendo com que nos enxerguemos como um ser à parte dos demais, em vez de escutarmos a verdade que está em nosso coração, a verdade que diz que estamos todos conectados, estamos todos juntos".

ESCRITA: A escrita, como sempre, é elegante na narrativa, juntando palavras com erudição, formando frases sonoramente acuidosas. Gosto de Damen e Ever trabalhando juntos para resolverem os enigmas, mostrando que esse era o ponto que a autora deveria ter seguido desde o início, colocando um desafio ou outro para afastá-los e, logo a seguir, reuni-los nessa mesma harmonia, e não com o distanciamento eterno dos volumes anteriores. Mesmo quando estavam juntos, parecia haver um abismo entre eles. A sutil inocência de Ever nessa nova fase, atuando e vivendo ao lado de Damen como a segunda parte de um casal, deu um ar natural, verossímil. O livro começou bem. A teoria de Ever no pavilhão, de que Damen, mesmo vivendo há mais de seiscentos anos como imortal, teve outras vidas antes disso, outras reencarnações, foi um ponto de clímax logo no início do livro. Foi o tiro certeiro que nos arrebatou de uma história enfadonha para a expectativa de uma aventura intensa. Finalmente, a autora acertou. Melhor ainda, instigou e empolgou o enredo com enigmas a serem resolvidos, como os nomes Lótus e Adelina e a sequência de números: oito, oito, treze, oito – o que sugeria, logo de cara, uma data: 08/08/1308. – O passado de Ever e Damen, ambos como Adelina e Alrick, é a melhor aventura da série. Surpreendendo a todos – principalmente depois do enfadonho e decepcionante Estrela da Noite, que me deixou sem esperanças –, Infinito nos conduz a uma jornada repleta de romances, intrigas, suspenses e aventuras. Essa volta ao passado, ao marco inicial das almas no plano físico, foi a redenção da autora. Ainda que isso demonstre uma semelhança absurda com outra série de sucesso – escrita muitos anos antes de Os Imortais –, Alyson Noël encontrou o eixo, deixou Shakespeare possuir sua mente e libertou a criatividade. Sim, ainda existe o drama. Porém, agora, temos o drama dentro de uma trama. E esse é o X da questão que faltava nos livros anteriores, onde tínhamos apenas uma adolescente birrenta, criada por uma autora sem informações aprofundadas sobre os assuntos abordados, uma protagonista com pena de si mesma, culpando a tudo e a todos pelos seus próprios erros, o universo inteiro contra ela e todo blábláblá melodramático que nunca levou o enredo a nada – bem, levou... à minha raiva. Não sei o que pensar ainda sobre a Árvore da Vida. Preciso ler mais à respeito para entender. Seria a Árvore do Éden? Isso teria a ver com o nome dela = Ever – Eva = já que Ever, segundo Lótus, é a única que pode encontrá-la. Ou seria a Árvore da Cabala, com as Sephirots – frutos do conhecimento? Isso ficou no ar, comprovando que, infelizmente, a autora não aprendeu a lição, colocando assuntos importantes de forma pingada, sem um conhecimento aprofundado, desrespeitando, assim, a cultura e a filosofia alheia. Nada mais tenho a comentar sobre esse desleixo claro da autora com questões do tipo. Outro comentário que preciso deixar registrado é sobre a supremacia de bondade plena da Ever, sufragando-a como salvadora de tudo e de todos... Ever, a personagem que mais fez lambanças e que não compreendeu nada da vida, não se redimiu, onde sua evolução espiritual não passou, notavelmente, de dez por cento... de repente, torna-se a redentora mor de todas as almas dos imortais. Particularmente, eu odeio esse tipo de santidade no protagonismo, algo que faz alusão ao Jesus bíblico, um conceito de que apenas os bons são dignos de salvação. A pergunta que deixo aqui é: quem determinou o que é bom e o que é mau? Quem é merecedor de salvação ou não? Ever virou deus para ter esse poder. Nota zero para a autora nesse quesito. Nem sempre a luz é a salvação.

“A verdade é revelada quando a pessoa está preparada para recebê-la, quando precisa dela para seguir em frente e dar o próximo passo da jornada ao encontro do seu destino”.

NOTA FINAL: Não indico a série. Apesar de ter altos e baixos, o que é típico de enredos longos, o “baixo” dura quatro livros, tornando-se enfadonho, imensamente cansativo, levando-nos quase a desistir da leitura. O que me fez persistir foi meu TOC em não deixar algo inacabado. No total, coloco Para Sempre, Chama Negra e Infinito como pontos altos, as pontas e o intermediário. Estrela da Noite é a tristeza mor da série, dá vontade de chorar só de lembrar da tortura que foi chegar ao fim dessa edição. Para quem ainda não começou, não indico a série. Para quem já iniciou a jornada, Infinito compensa a tortura anterior. No geral, dou média cinco para a série, o que é uma pena, pois a premissa tinha potencial... um potencial que foi negligenciado pela autora, destruído em todos os níveis. Classificando separadamente, Chama Negra e Infinito são os melhores, o que faz Os Imortais valer a pena.

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