segunda-feira, 27 de março de 2023

Resenha: Amante Eterno

 


“Amor sem restrições, livre do caos de sua maldição”.

FICHA TÉCNICA
• Título: Amante Eterno
• Autora: J. R. Ward
• Série: Irmandade da Adaga Negra Vol. 2
• Editora: Universo dos Livros
• Edição: 2010
• Páginas: 448
• Formato: 16 X 23 cm
• ISBN: 978.85.7930.084.4
• Gênero: romance sobrenatural
• Tradução: Jacqueline Valpassos
• Revisão: Guilherme Laurito Summa e Julio Domingas

SINOPSE:
 Nas sombras da noite, em Caldwell – New York –, desenrola-se uma sórdida e cruel guerra entre vampiros e seus carrascos. Há uma Irmandade secreta, sem igual, formada por seis vampiros defensores da sua raça. Possuído por uma besta letal, Rhage é o membro mais perigoso da Irmandade da Adaga Negra. Dentro da Irmandade, Rhage é o vampiro de apetites mais vorazes. É o melhor lutador, o mais rápido a reagir, baseado em seus instintos, e o amante mais intenso, porque em seu interior arde uma feroz maldição lançada pela Virgem Escriba. Possuído por esse lado sombrio, Rhage teme constantemente que o dragão dentro de si seja liberado, convertendo-o em um perigo para todos à sua volta. Mary Luce, uma sobrevivente de muitas adversidades, entra de uma maneira involuntária no universo dos vampiros, contando apenas com a proteção de Rhage. Concentra em combater sua própria maldição, potencialmente mortal, Mary não está buscando o amor e perdeu sua fé em milagres tempos atrás. Mas quando a intensa atração animal de Rhage se transforma em algo mais emocional, ele sabe que Mary precisa ser sua mais que ninguém. E enquanto os inimigos fecham o cerco, Mary luta desesperadamente para alcançar a vida eterna com aquele que ama...

“Obsidiana, pensou ela. Pareciam obsidianas. Brilhantes. Sem fundo. Sem alma”.

ASPECTO FÍSICO: A capa segue o mesmo estilo do primeiro volume, tendo as letras do título em fonte simples, brancas, enormes e em alto relevo, sobressaindo-se ao toque. Porém, a tonalidade agora é em azul, transmitindo a serenidade guerreira de uma das personagens, totalmente contrário ao rubro escandaloso do primeiro volume, quente como sexo. Não há muito o que dizer nesse quesito que já não tenha sido considerado na resenha do volume anterior. A editora manteve todos os ícones, criando uma identidade para a série. Gosto quando isso acontece. Além de adornar a estante, tornando qualquer título de fácil acesso e visualização, o padrão é um deleite aos perfeccionistas. E o interior do livro segue o mesmo aspecto, com letras em tamanho adequado aos que sofrem com problemas de visão, e espaçamento entre as linhas que não embaralha a vista. O papel usado é antirreflexivo, evitando as típicas dores de cabeça durante a leitura, que quase nunca sabemos de onde realmente vem. A peça em si tem estrutura robusta, contudo, a brochura tem flexibilidade adequada, sem descolar e com mobilidade certa para se abrir totalmente e não fechar do nada, mantendo-se escancarado no colo e com fácil manipulação.

“Era uma bomba relógio ambulante, carregada com ódio suficiente para entregar o que sua aparência prometia. No jargão policial, era uma ameaça tripla. Frio como uma pedra. Mau como uma serpente. Imprevisível como a própria vida”.

ENREDO: Neste volume, o macho da vez é Rhage, o belíssimo e sedutor guerreiro da Irmandade que traz consigo uma maldição, uma fera que surge em meio a fúria, sem reconhecer quem é amigo ou inimigo, esmiuçando tudo que vê pela frente. Preocupado em não machucar seus irmãos e o amigo humano, Butch, o guerreiro extravasa sua ira com sexo e um bom balacobaco. Paralelamente, novos personagens surgem, revelando o exótico e misterioso John, um rapaz mudo que consegue se entender com Mary, uma delicada mulher afrontada por um câncer. A vizinha de Mary, Bella, se junta aos dois, e um trio de amizade é formado. De certa forma, Bella compreende as idiossincrasias de John, pois é dona de um segredo que não pode revelar à vizinha. Bella é uma vampira, e reconhece que a transição de John está prestes a acontecer. Então, decide levá-lo à Irmandade. O problema é que Bella e John precisam de Mary como intérprete do rapaz, pois é a única que entende a linguagem de sinais. Mary tem jeito para lidar com as pessoas diferentes, trabalhou com autistas por muitos anos, e consegue compreender John não apenas com os gestos, mas, também, em seu âmago. O segredo precisa continuar intacto, Mary seria levada com John e Bella até a Irmandade e, depois, teria sua memória apagada. As coisas desandam quando Rhage se depara com o trio e se encanta pela mais improvável sedução da sua existência. Não, não é a vampira Bella quem atiça o bonitão... a essência de Mary o instiga, seu cheiro, sua voz, sua fragilidade, seu olhar de guerreira. Apimentando a situação, a fera de Rhage também se apaixona por Mary. Os perigos que o casal passa a enfrentar são imensos, sem que Mary tenha um pingo de descanso. Redutores que a perseguem para chegar até o guerreiro, a fera querendo sair e copular com Mary, a introspecção e a luta interna de Rhage, a aceitação de outra figura humana entre os membros da Irmandade, os castigos da Virgem Escriba, o câncer de Mary... o leitor não tem paz! À parte do enredo principal, John é acolhido por Tohr e sua esposa, Welsie, a única, além de Mary, que alcança a alma do jovem guerreiro ainda em transição, cuidando-o como se fosse seu próprio filho. Em contrapartida, abrindo alas para o próximo volume, a atração discrepante e instigante entre Zsadist e Bella provoca uma excitação extra. Um livro repleto de ação, drama e suspense, empolgante e único!

“O efeito que tinha sobre ele era como uma droga, uma irresistível combinação de desejo sexual e profunda paz. Como se tivesse um orgasmo e caísse em sono plácido ao mesmo tempo. Jamais sentira algo assim”.

MINHAS CONSIDERAÇÕES: Novamente, J. R. Ward nos brinda com um romance de tirar o fôlego. Surpreendente, o desenrolar dessa trama é completamente inovador e deleitosamente instigante. A fera que habita no peito de Rhage tem o poder de nos arrebatar em uma emoção jamais sentida, e tudo descrito com uma elegância de escancarar os lábios. Os personagens continuam intensos, cada um com suas idiossincrasias marcantes, destacando-os como únicos – e sempre poderosos. – Como citado no tópico anterior, a entrada de Bella no elenco nos deu a brecha para o desatar dos grilhões de Zsadist, que terá sua história contada no próximo volume. A força de Mary foi outra maravilhosa surpresa. Quando li pela primeira vez, achei-a um tanto insossa e desnecessária, quase indigna do amor do guerreiro dotado de lascívia. Contudo, agora com a maturidade literária, prestei atenção em detalhes que me passaram despercebidos antes. Então, a humana ganhou minha simpatia ao mostrar sua coragem e determinação. Até mesmo quando aceitou seu próprio destino e, ainda assim, procrastinou em seguir por tal caminho, lutando mentalmente para que o impossível acontecesse, para que suas veredas encontrasse outro final, Mary foi bárbara! Não preciso dizer que ela se tornou uma das minhas preferidas, principalmente por defender os autistas diante de Rhage. O guerreiro, melhor do que ninguém, era quem mais deveria compreender as diferenças alheias. Porém, com um jogo de palavras de fazer qualquer mamãe de autista se debulhar em lágrimas, a autora fez com que Mary desse uma bofetada verbal no poderoso Rhage. E Mary não é apenas impressionantemente forte no emocional, ela consegue ser bondosa mesmo diante do perigo iminente, e essa força foi um golpe de mestre. Como o próprio Rhage a descreve, Mary tem olhos de guerreira. Ainda falando de Mary, uma das cenas que também ganhou minha atenção foi a de quando ela adentra na luxuosa mansão da Irmandade e cita o “requinte das cortes dos antigos czares”. Como não li todos os volumes já publicados da série – que parece não ter fim, fato que me faz muito amar e admirar a autora, porque tem que ter coragem de ganhar sua legião de fãs sem arrefecer a vontade de ler –, criei minhas teorias, e a maior delas é uma possível conexão da Irmandade e da Sociedade Civil Vampiresca com a realeza russa. Será?... Aguardemos, pois nada mais em J. R. Ward consegue me impressionar... mentira, ela sempre é capaz desse feito. Finalizando essa parte, ainda mantendo o foco na co-protagonista do enredo, a autora foi audaciosa nas falas de Mary para com Deus, uma coragem digna de aplausos, já que muitos escritores gostam de posar de santos – politicamente beatificados – e exaltar tal divindade, menosprezando e rebaixando outras.

“Não se trata de crianças deficientes [...] Eles só são diferentes. Experimentam o mundo de uma maneira diferente. Normal é só aquilo que é comum, essa não é a única maneira de ser ou de viver”.

GRAMÁTICA: Os jogos de palavras são deliciosos, tal como o vocabulário rebuscado – mesmo mantendo os mesmos problemas de tradução e revisão do primeiro volume da saga, o exagero de pronomes pessoais, estrangulando a estética do texto com uma coleção desnecessária de “ele, dele, nele, ela, dela, nela”; fato que, para mim, em nada desabona o talento da escritora, tampouco da equipe de tradução, revisão e edição. Encontrei um erro de concordância na página 242, uma falha com o pronome possessivo “minha” no lugar do oblíquo “mim”, que aconteceu na seguinte frase: “Nunca mais chegue perto de minha outra vez”. Também encontrei pequenos lapsos que costumo chamar de erro de digitação, uma letra faltando ou outra no lugar da que seria correta. Apenas isso. Eu amo a Irmandade e vou passar pano sempre que puder, porque sim e pronto!

“Para fazer um milagre por sua mãe, que fora uma fiel devota, Ele não tinha tempo. Mas Ele fez um esforço extraordinário para castigar uma pecadora como Mary”.

NOTA FINAL: Não tenho palavras que sejam suficientes para descrever minha admiração e paixão por essa série. Dentre tantos mundos vampirescos criados, a Irmandade da Adaga Negra se tornou o melhor e mais fascinante. Engana-se quem pensa encontrar romance bobo, melado e erótico... E nada mais que isso. Nossa, e como se engana! Muita ação, lutas e cenas picantes, todas escritas de maneira exímia, são as maravilhas que estampam as páginas de “Amante Eterno”. Mais que recomendado, leitura obrigatória para os amantes da literatura sobrenatural.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Autores Nacionais: Mirella Ferraz

  Ganhei o primeiro livro de Mirella Ferraz de presente há muitos anos, logo após sua publicação. Porém, acreditando erroneamente que se tra...