quarta-feira, 12 de abril de 2023

Semana Especial Klamata, Quebrando as Regras - Dia 3: Os Alados

 


Já que o foco da série são os alados em todas as suas classes e tríades, vamos falar um pouco mais sobre eles, sobre como se apresentam nos livros e as diferenças entre eles. 

Na teoria que concebi para a série, todas as criaturas foram moldadas por Deus, e apenas uma espécie não deveria existir, que são os nephilins, filhos híbridos de anjos com humanas. É bom deixar claro que, especificamente no Guia da Série, quando cito a palavra “anjo”, estou abrangendo todas as classes angelicais. Nos textos de Arelli a coisa muda de figura. Para distinguir um e outro, uso seus títulos – ou patentes, como prefiro chamar. – Citando exemplos, Jessica se refere a Caio como anjo, a Gabriel como arcanjo e a Lúcifer como querubim. Da mesma forma, outros personagens chamam a própria Arelli de princesa dos serafins. Isso ajuda não exceder a repetição de substantivos próprios e comuns, tornando a escrita mais elegante, ao menos na minha perspectiva.

Falando um pouco sobre os nephilins, um assunto que abordo com mais profundidade na Série Filhos do Pecado, minha teoria é a de que eles não deveriam existir, pois foram um erro deliberado dos alados em coabitação sexual com as humanas. Portanto, não estavam no script divino. Essas criaturas, definitivamente, são um erro genético, como os personagens gostam de chamar. Aqui entra uma teoria importante para o enredo de Arelli: e se o sangue de três celestiais se misturasse, formando um ser jamais imaginado? Essa aberração ganharia forma, geraria um caos absurdo, um desequilíbrio de proporções dantescas em todo plano sagrado. Essa é uma das chaves que abre as portas dos mistérios criados em Arelli.

Nesse tópico, deixaremos os nephilins e a tal aberração de lado, afinal, tocar nesse assunto seria entregar o ouro. Vamos nos focar nos alados e como os dividi em outras subclasses para dar coerência ao enredo. Levando em conta que todos, até mesmo os humanos, foram moldados pelas mãos de Deus, então, obviamente, temos uma lista de fiéis, outra de caídos e a que mais interessa no primeiro volume da série, a lista daqueles que encontraram um jeitinho de quebrar as regras e adentrar no mundo que não lhes pertencia. Vamos conhecer um pouquinho de cada nova categoria dos alados de Arelli.

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CRIADOS FIÉIS
Esses são os que permanecem imaculados, sem a macha do pecado, com acesso à Morada Sagrada. Obviamente, foram criados por Deus, surgindo no paraíso celestial assim que o projeto ficou pronto. Com o livre arbítrio, podem escolher entre a morada celestial ou habitar entre os humanos, mantendo a ordem e protegendo-os. No segundo caso, os alados estariam materializados, sendo confundido com qualquer outro humano. Bem, nem tanto, a beleza inefável sempre os destaca. Ainda assim, eles conseguem passar despercebidos. Suas asas e toda sua essência ficam ocultas quando se materializam, e apenas uma criatura sobrenatural pode reconhecer a outra. Quando convocados por alguma ordem divina, precisam atender prontamente o chamado, para só depois retornarem à vida que levam entre os homens. Materializados, só comem para manter as aparências, não dormem, mantêm a força extrema e a velocidade e, tecnicamente, são imortais, pois não envelhecem. Por tal motivo, de tempos em tempos, precisam se mudar. Como explicou o Arcanjo Gabriel para Jessica: “Quando um celestial decide viver entre os humanos, ele não pode pecar, não pode burlar as ordens. É como servir ao mesmo exército, porém, em outro país”. Contudo, ainda que desobedeçam, têm o direito a um julgamento justo. Caso sejam perdoados, pagarão por seus pecados e retornarão.

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ALADOS CAÍDOS
Como era de se esperar, os caídos perderam muitos dos seus privilégios, e o maior deles é a total imortalidade. Essa questão é um tanto complexa, mas vou tentar explicar. Para os humanos, todos os alados, sejam fiéis ou caídos, são imortais. Um tiro, uma facada, nada pode matá-los. Apenas um celestial – ou sobrenatural – pode exterminar o outro. Para isso, é preciso aplicar uma técnica bem específica, que será explicada mais adiante. O fato é que se um dos fiéis é eliminado por qualquer outra criatura, ele permanece na memória do Pai, e pode ser trazido de volta quando sua existência for necessária a Deus. Caso contrário, ressurgirá apenas no Paraíso, mas com todas as suas memórias e com toda honra. Se um dos caídos for exterminado por um dos fiéis – e essa, algumas vezes, pode ser uma das missões designadas aos fiéis; ou seja, se matarem sem permissão, tornam-se infiéis e, consequentemente, um dos caídos –, tal criatura jamais ressurgirá, sua existência será totalmente esquecida. Eis o medo de qualquer criatura, cair no esquecimento, nunca mais voltar. Até os humanos temem esse mal, pois a maioria busca o conforto de uma vida após a morte, de uma estadia no paraíso ou de um renascimento/reencarnação na Terra. Uma vez no Paraíso, ninguém mais morrerá pelas mãos de outrem, apenas Deus terá tamanho poder. Na teoria da série, os alados caídos são divididos em outras duas classes: Demônios e Vampiros.

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DEMÔNIOS
Basicamente, são os que foram expulsos do céu quando decidiram apoiar Lúcifer e suas insanas ideias, voltando-se contra o Pai. Perderam suas asas e toda aura angelical, mas continuam poderosos. Revoltados, a ira parece inflamar seus poderes. Podem circular entre os humanos, e como já não têm muito mais o que perder mesmo, vivem aprontando. Matam, roubam, enganam, deturpam, fazem sexo, não há limites, o importante é bagunçar a Terra, e o fazem com primazia. Alguns são até simpáticos, fator indispensável para atrair os humanos e corromper suas almas.

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VAMPIROS
Parece absurdo, mas eram anjos, alados criados pelas mãos do Pai. Estavam materializados na Terra quando a expulsão aconteceu. Eram celestiais que nunca negaram seu apoio a Lúcifer, tampouco se refreavam em pecar. O problema foi que, estando materializados, não conseguiram mais se desfazer da matéria, ficando presos no corpo que criaram. Ainda assim, mantiveram a força, a velocidade e o poder de sedução com a belíssima aparência física, atraindo suas vítimas. Afinal, aquele corpo ansiava por alimento, ansiava pela vida celestial perdida. Sem vida, eram apenas corpos vagantes que se deteriorariam com o tempo. Sangue é vida, foi dessa vida que passaram a se alimentar. “O sol é o milagre maior de cada dia, uma ínfima demonstração do poder de Deus. Afastados da graça do Pai, afastados de todo o milagre que Ele criou. Os humanos passaram a chamar tais criaturas de vampiros. No meu mundo, são chamados de anjos da noite”.

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Quebrando todas a regras do mundo terreno e do sobrenatural, anjos, demônios e vampiros enxergaram boas habilidades em humanos e nephilins. Ansiando por levá-los ao submundo e a escravizá-los, encontraram uma forma de eternizar tais “súditos”. Foi assim que surgiu outras duas categorias de criaturas sobrenaturais na série.

VAMPIROS TRANSFORMADOS
A ira envenena os corações. Essa fúria vampiresca se tornou um veneno que corrompia, contaminava, transformando qualquer pessoa em um ser sanguinário, selvagem e furioso. A primeira vítima foi um acidente. Um vampiro precisava se alimentar, e acreditou ter drenado sangue suficiente para exterminar aquela vida. Porém, o humano sobreviveu, e o veneno do vampiro o corrompeu. Pior ainda, uma estranha conexão foi gerada. Tanto o vampiro quanto a vítima podiam localizar um ao outro onde estivessem, nem que fosse a quilômetros de distância. O “ex-humano” encontrou seu criador. Uma submissão involuntária o colocou como escravo do imortal sanguinário, cumprindo com todas as ordens que lhe eram passadas. Por sorte, o vampiro transformado podia andar tranquilamente sob a luz do sol, fato que o tornava um peão importante para os intuitos do “chefe”. A notícia correu pelo submundo, e logo cada vampiro tinha seu súdito particular para atuar durante o dia, realizando as tarefas que lhe eram impostas. E, como era de se esperar, o transformado também se alimentava de sangue. Porém, sem a essência celestial, não podia transformar nenhum outro. Apenas os originais tinham esse poder.

ALADOS TRANSFORMADOS
Da mesma forma que um alado podia matar outro, um demônio ou um alado podiam transformar um humano. O trâmite dessa transformação era um pouco mais complexo que a dos vampiros. A criatura tinha que arrancar o coração da vítima e recolocá-lo em seu espírito, e tudo tinha que acontecer rapidamente, antes que a essência original da vítima se esvaísse. Um corpo era automaticamente materializado, com novos membros: asas. Depois, com um tempo posterior de treinamento, o novo alado conseguiria desmaterializar sua matéria, atuando tal como os anjos em qualquer dimensão abaixo do Plano Etéreo, a Morada do Pai. Bem, como eu disse, o trâmite era mais complicado. Após a rápida transformação, o novo alado tinha que estar no cemitério no momento exato de seu enterro, que era quando toda essência humana subiria como névoa. Ele teria que “pegar” essa névoa, aspirá-la. Eram seus sentimentos, suas memórias, seu cerne. Sem isso, nada seria. E nada sendo, deixaria de existir. Sua nova vida iria se esvair, evanescer pouco a pouco, até nada sobrar. Convenhamos, um “morto” comparecer no próprio enterro era algo meio bizarro. Complexo demais... Contudo, não impossível. Os nephilins, quase sempre, eram os escolhidos para esse tipo de transformação, pois eram os que conseguiam facilmente aprender a desmaterializar os novos corpos antes mesmo de pegar sua essência. Dessa forma, poderiam aparecer no próprio enterro sem serem vistos, eram como fantasmas no cemitério.

“Como alguém pode existir sem sua essência? Você morreria. Deixaria de existir. Evaporaria. Chama que se apaga. Extinta da lista. Queima de arquivo. Fim”.

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