“A Vingança é bela” – é o que diz o cartaz do filme, sugerindo apenas uma história onde uma mulher linda e sensual busca por vingança. Por sorte, a película é muito mais que isso, daquelas que nos surpreende e nos deixa de queixo caído.
INFORMAÇÕES TÉCNICAS:
• Título: Colombiana – Em Busca de Vingança
• Título Original: Colombiana
• Roteiro: Luc Besson e Robert Mark Kamen
• Produção: Luc Besson e Pierre-Ange Le Pogan
• Duração: 108 minutos
• Lançamento: 2011
• Gênero: drama de ação
SINOPSE: Aos nove anos, Cataleya Restrepo (Zoe Saldana) testemunha, impotente, ao violento assassinato dos seus pais, em Bogotá, Colômbia. Após jurar vingança, ela vai para os Estados Unidos viver com o tio Emilio (Cliff Curtis), um narcotraficante. Quinze anos depois, Cataleya trabalha para o tio como assassina profissional. Contudo, ela continua determinada em levar adiante a sua promessa de vingança, mesmo sabendo que isso signifique perder tudo o que conquistou.
ENREDO: um mafioso se despede do chefe do cartel, desconfiando da simpatia excessiva com que o mesmo lhe dedicou. Ciente de que tal atitude era motivo de alerta, correu para casa. Mais do que apenas alertar seus homens e a esposa do perigo iminente, ele instrui a própria filha. E a garotinha, de apenas nove anos, testemunha o brutal assassinato dos pais. Supostamente assustada e catatônica diante da cena, Cataleya apenas escuta o que um dos assassinos tem a lhe dizer, ameaças que a colocam como próxima vítima. Se ela entregasse o que lhe pediam, seria morta em seguida. Se não entregasse, seria torturada e, de qualquer forma, morta. É quando a menina nos surpreende. Tudo parece sem saída, até que ela encontra uma... na janela atrás de si. Como uma expert no parkour, Cataleya se desvia do bando de perseguidores em uma fuga insana por Bogotá. E a menina coloca os marmanjos no chinelo, fugindo de tiros e de todos os obstáculos em seu caminho. Por fim, combalida e esquálida, ela chega à embaixada americana, entregando aos agentes um chip contendo inúmeras informações sobre o cartel que eliminou seus pais. Esperta, Cataleya barganha seu tesouro. Com novo passaporte e o apoio do governo norte-americano, ela chega aos Estados Unidos, e uma nova fuga se desenrola. Cataleya precisa se desviar dos agentes, e isso foi mais fácil que se livrar dos bandidos. Gastando tudo o que tinha, consegue chegar até seu tio, que lhe dá abrigo. Mas Cataleya clama por justiça. Instigada pelo tio, ela é matriculada em uma das melhores escolas da região, preparando-se, de todas as formas, para realizar seus planos. Sim, a vingança é bela... fria e extremamente inteligente. Quinze anos depois, o FBI procura por um assassino que simplesmente não deixa rastros, e ninguém faz ideia de que é uma linda mulher quem está realmente por trás desses crimes.
ATUAÇÃO: Fugindo dos padrões, temos uma mulher negra, belíssima, como protagonista. Zoë Saldaña marcou sua carreira em grandes produções, como Star Trek, Avatar e Guardiões da Galáxia. Praticamente, uma expert em filmes de ação. E a atriz não decepcionou na pele de Cataleya, mantendo um olhar frio, digno de uma assassina paciente pela vingança, e semblantes inexpressivos, mostrando o quão natural aquilo se tornou à personagem. Obviamente, os produtores exploraram o corpo delgado de Zoë, colocando-a em cenas sensuais, com trajes mínimos – e um tanto desnecessários. – Ainda assim, ela cumpriu seu papel com maestria, digna de aplausos sempre.
ROTEIRO: tenho que dizer o quanto me surpreendi com o roteiro desse filme. Normalmente, temos o bandido misterioso que chega do nada e que, depois de fazer sexo loucamente com sua amada, desaparece como surgiu. Em Colombiana, os papéis foram trocados, pois é Cataleya quem chega, ama e evapora, como em um passe de mágica, antes do charmoso mocinho despertar. Tudo que ele sabe dela é um nome... que nem é real. Ele a chama de Jennifer. Ele é a vítima. Ele precisa ser salvo. Ele se apaixona. Sim, o poder feminino foi enfatizado nessa película, atraindo a atenção de um público difícil – eu me enquadro nesse quesito. – E, apesar de astuta, sorrateira, inteligente e exímia, Cataleya tem uma vulnerabilidade. Engana-se quem pensa que o mocinho sedutor é o calcanhar de Aquiles da nossa diva do crime. A família é o que desestrutura Cataleya, todo laço que lhe restou, e que ela mantém em segredo, à distância, é o que desestabiliza a poderosa assassina, humanizando-a de uma forma realmente inesperada.
MINHAS CONSIDERAÇÕES: Ação e sensualidade na medida certa. Colombiana é um filme inteligente, desses que prendem nossa atenção do início ao fim. Como era de se esperar, torcemos para o lado “bandido” da ação, porém, não pude deixar de me simpatizar com o agente James Ross, que se vê sob as rédeas de Cataleya, sendo obrigado a ajudá-la, rendendo-se à inteligência da moça. Falando em inteligência, outro ponto que nos surpreende é o quanto Cataleya analisa cada situação. Ela tem um plano de fuga para todas as ocasiões, com rotas secretas inesperadas, incalculadas por qualquer agente, e com o tempo milimetricamente cronometrado, explodindo paredes em sincronia com as ações da equipe do agente Ross. Além de valorizar atores negros e latinos, tanto com a protagonista quanto com os coadjuvantes, o filme nos mostra o lado obscuro daqueles que deveriam estar dentro da lei... e que, certamente, ultrapassam os limites em benefício próprio, provando que o poder é um perigo nas mãos gananciosas. Recomendo, aplaudo, assistirei novamente, com certeza! Colombiana está disponível na Netflix, tendo uma ótima avaliação entre os espectadores. Para quem gosta de ação com uma leve – bem leve mesmo – pitada de romance, Colombiana é a escolha certa. Vale a pena colocar na lista.


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