quinta-feira, 22 de junho de 2023

Resenha: Filme - O Rei

 


O banner surgiu na minha tela e o trailer instigou. Nem li a sinopse, simplesmente acrescentei o título na minha lista e, na primeira oportunidade, dediquei minha atenção à película. Se tem Shakespeare envolvido, me jogo de cabeça e esqueço do mundo. Foi o que eu fiz... ainda que algumas críticas sejam contrárias às minhas, devo dizer, não me decepcionei.

INFORMAÇÕES TÉCNICAS:
• Título: O Rei
• Título Original: The King
• Produção: David Michôd
• Roteiro: David Michôd e Joel Edgerton
• Duração: 140 minutos
• Lançamento: 2019
• Gênero: drama, biográfico, histórico

SINOPSE: Após a morte do seu pai, Henrique V é coroado rei, obrigado a comandar a Inglaterra. O governante precisa amadurecer rapidamente para manter o país consideravelmente seguro durante a Guerra dos 100 Anos, contra a França. Baseado nas peças Henriad, de William Shakespeare, esse drama histórico explora toda tensão de um monarca que assumiu, em tenra idade, um trono do qual tinha direito, mas que preferia não exercer.

ENREDO: Fugindo dos fatos e passando apenas superficialmente sobre o que Shakespeare realmente escreveu – em Henriad –, o filme conta a história de Henrique V. Desertor do trono, Henri – vamos chamá-lo assim, na intimidade mesmo –, interpretado por Timothée Chalamet, esbanja sua juventude com muita bebida e noites lascivas, sempre acompanhado de seu fiel escudeiro John Falstaff – personagem criado por Shakespeare. – Doente, seu genitor, Henrique IV, o convoca à corte. Hal – como é chamado por todos – nega o pedido do pai. Depois, aconselhado por Falstaff, Hal pondera e, por fim, atende ao chamado... apenas para passar raiva, porque o rei anuncia que ele não será o herdeiro do trono, e sim Thomas, seu filho mais novo. O problema é que Thomas morre em uma batalha. Com o pé na cova, Henrique IV recebe a visita de Hal, que surge apenas para lhe acusar dos seus pecados. O rei falece, e sem ter como fugir da obrigação, Hal assume o trono, sendo coroado como rei da Inglaterra, Henrique V. Aliados e monarcas vizinhos comparecem ao jantar de coroação. Os que não foram, mandaram presentes. É quando a primeira afronta surge como um tapa na cara. Louis, Delfim francês, envia uma bola de presente a Henri, debochando da sua tenra idade e da inexperiência para governar. Os conselheiros de Henri clamam por retaliação, porém, o monarca só quer viver em paz, acabar com a guerra, diminuir os impostos. Então, uma trama é armada por debaixo dos panos. Um suposto contratado para assassinar o rei inglês trai o contratante, revelando os intuitos da França contra a Inglaterra, em troca de clemência. Henri finalmente decide revidar, mas, para isso, precisa do seu fiel escudeiro, John Falstaff. John, que, até então, parecia esquecido pelo velho – nem tão velho assim – amigo Hal, assume o comando do séquito inglês. Determinados, seguem para a França... no maior estilo de “quer falar? Fala na cara. Estou aqui e vim para dominar teu reino”. Quando os ingleses parecem em plena vantagem contra os franceses, Louis dá o ar da sua graça e desanda a brincadeira. Porém, a experiência de Falstaff em batalha acaba se tornando o pivô que vira os acontecimentos.

ATUAÇÃO: Timothée Chalamet cumpriu seu papel, representando mais Henrique V – sisudo e guerreiro – do que pedia o próprio roteiro, que tentou, erroneamente, colocar o rei da Inglaterra como um fanfarrão desmiolado. A surpresa veio com Robert Pattinson no elenco. Confesso que fiquei um tanto desconfiada quanto a sua atuação... e o rapaz realmente surpreendeu. Com um sotaque que, ao meu ver, ficou perfeito, o ator passeou entre o francês e o inglês como se tivesse nascido na França. Suas caras e bocas, o olhar de esguelha... eu não esperava por tamanho empenho. Bem, depois de Crepúsculo, apreciei o trabalho de Pattinson no filme Lembranças. Porém, ele ainda estava estereotipado na pele do vampiro. Ainda que sua atuação tenha sido digna nesse título, eu ainda o enxergava como Edward Cullen. Dessa vez, foi diferente. Pattinson realmente cumpriu seu papel com maestria.

ROTEIRO: O roteiro foge muito dos fatos, e pouco segue a obra de Shakespeare. Primeiro porque Henrique V não era um fanfarrão. Sem contar que Thomas, seu irmão, só morreu muito depois da sua coroação, batalhando na França. Ou seja, Henrique realmente assumiria a coroa. Para completar, Louis, Delfim francês – o personagem de Robert Pattinson –, não tomou partido naquele cerco. Ainda assim, admito que a história é envolvente. O suspense prende nossa atenção. Para mim, o destaque ficou por conta de John Falstaff, falando o que precisava ser dito no momento certo. A descoberta de Henrique sobre toda a trama que o levou a guerrear contra a França foi um ponto alto, algo que eu não esperava. Tudo levava a crer que era Louis quem estava envolvido – apesar da rixa fantasiosa que foi incluída no roteiro. – Isso realmente surpreendeu, sendo revelado em momento crucial, quando tudo parecia resolvido. Fugindo um pouco do tópico, ainda estou me perguntando se as armaduras eram mesmo horrendas como as do filme, tão ridículas que os soldados mais pareciam bonecos de lata do Minecraft, quadrados e barulhentos. Os ingleses deveriam ter optado por manter as antigas lorigas, acredito que seriam mais eficientes, dando maior mobilidade aos movimentos. Ousando, lorigas confeccionadas com tiras de couro, uma carcaça maleável e firme. Enfim... concluindo, mesmo fugindo da história e das obras de Shakespeare, o roteiro é bom, apresentando-nos um enredo intrigante e que prende nossa atenção.

MINHAS CONSIDERAÇÕES: Fui enganada. Shakespeare deve estar se revirando no túmulo por conta desse filme. Porém, admito, é bom. Surpreendente, essa é a palavra que melhor se encaixa aqui. Justamente por fugir do contexto histórico, a trama não deixa um nó górdio, atando todas as pontas, pegando o gancho e ligando as cenas. Falando em cenas, a batalha no cerco de Harfleur é empolgante. Se você espera por romance, passe longe. Para minha felicidade, a película é pleno suspense, com pontos específicos de ação e uma pequena dose de drama familiar. Recomendo.

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