segunda-feira, 5 de junho de 2023

Resenha: Série Knightfall - Primeira Temporada

 


Cavaleiros Templários, eis um tema que chama a atenção dos apaixonados por histórias épicas. Depois de assistir O Rei, Legítimo Rei e The Last Kingdom, essa série parecia me chamar na minha lista da Netflix. Sem muita pretensão, sem nenhuma expectativa, cliquei no banner e decidi assistir. Minha reação por essa série é como uma relação de amor e ódio. Porém, se disser que odiei totalmente, estarei mentindo.

INFORMAÇÕES TÉCNICAS:
• Título: Templários
• Título Original: Knightfall
• Produção: Michael Wray
• Duração: 10 episódios
• Lançamento: 2017
• Gênero: aventura, histórico

SINOPSE: A história de fé que manteve a irmandade dos templários unida através de todas as batalhas pelas quais tiveram que passar, e a terrível história que marcou para sempre a data de Sexta Feira 13 na cabeça das pessoas.

ENREDO: A série conta a história de Landry (Tom Cullen), um cavaleiro templário que, após a morte do homem que considerava como pai, assume seu posto, tornando-se mestre do templo de Paris, França. Com direito a flashback sobre a infância de Landry e de como conheceu seu mestre, os episódios vão se desenrolando. Enquanto isso, os Cavaleiros, entre lealdade e traição, buscam pelo símbolo maior de sua fé, o Santo Graal. Em meio a tudo, Landry quebra seus votos de celibato, mantendo um caso secreto com Joana, rainha da França e de Navarro, enquanto o próprio Templário se mostra como fiel amigo de Philip, o rei. Em encontros clandestinos, o romance entre Landry e Joana é enfatizado... bem, ao menos foi o que tentaram, porque tudo isso é ofuscado com a presença de De Nogaret, o conselheiro do rei. De Nogaret trama o casamento de Isabela, a princesa, com a Inglaterra, enquanto Joana clama ao marido para que permita que a filha se case por amor, ou seja, com o príncipe de Catalunha. O conselheiro faz valer sua vontade, mesmo quando o enlace já está marcado e definido. Com o plano em prática, De Nogaret coloca Isabela contra o noivo, dando a entender que Lluis a traiu ao revelar a todos o interlúdio do casal antes da cerimônia, humilhando-a. Para salvar a filha das maledicências alheias, Joana paga para que a virgindade da menina seja comprovada. Um atentado acontece, De Nogaret é tido como herói, quando todos acreditam que a Inglaterra, ressentida com a escolha da princesa, é quem ataca a França. Ok... e Landry? Bem, o Cavaleiro deixa Joana na mão, anunciando que o caso entre ambos está encerrado, pois ele precisa se concentrar na sua busca pelo Graal. O problema é que Joana está grávida. Há mais de dois anos sem comparecer no leito do marido, ela precisa solucionar esse problema. E quando as coisas desandam, Joana posa de esposa apaixonada. Entre os Templários, nada é o que parece ser. Os inimigos se mostram grandes aliados, enquanto os amigos... esses são os que chocam, colocando-se como poderosos adversários. Em meio a mentiras, mistérios, suspense e muita hipocrisia católica, a trama segue seu curso – nitidamente com pouco recurso – e ganha um final inesperado – e um tanto clichê.

ATUAÇÃO: Tom Cullen parece estar na série apenas para seduzir o público feminino com sua voz grave e sua suposta honra e irmandade. Prefiro não comentar sobre sua atuação. Eu já conhecia o trabalho de Simon Merrells (Tancrede) desde a série Spartacus, e posso dizer que foi difícil reconhecê-lo em Knightfall. Simon se desfez totalmente da pele de Marcus Crassus e mergulhou de cabeça para representar o coadjuvante Tancrede. De todos da série, coloco-o como destaque. O ator simplesmente se sobressai. Simon atua com o olhar, com expressões que, se pudesse, dispensariam palavras. Confesso, continuei assistindo apenas para prestigiá-lo.

ROTEIRO: O roteiro é... uma porcaria! Deve ser por isso que passei quase meia hora buscando pelos nomes dos roteiristas e não os encontrei. Acabei desistindo. Não é possível que uma série produzida pelo History Channel consiga ter tanta desinformação! Romantizaram a história, no sentido literal da palavra. Não estou afirmando que os Templários eram um poço de honra e celibato. Aliás, duvido que fossem. Porém, o curso da história foi desviado quando colocaram o rei da França em busca de vingança contra os templários simplesmente por ter sido corno. A verdade é que o monarca devia horrores aos Templários, e para que não fosse cobrado pela dívida que jamais conseguiria pagar, atentou contra os Cavaleiros. O Graal foi mitificado, e não posso dizer que não gostei dessa parte. Na verdade, envolvendo sarracenos e muitos adeptos de outras religiões, espero que cheguem na versão druida da parada, ou seja, colocando o cálice como um presente de Merlin a Jesus, revelando um precioso segredo. Por sua vez, Jesus o entregou aos cuidados de José de Arimateia, encarregado de remover seu corpo da cruz e sepultá-lo. Com um ritual, o poder do Graal curaria todas as feridas, e isso seria o ponto crucial para a ressurreição. Ao que tudo indica, a série pretende seguir essa linha. Um ponto fraco do roteiro foi o cancelamento do julgamento e da punição de Landry. Quando o mestre templário seria excomungado e queimado por trair seus irmãos e todo blábláblá celibatário e de honra – até porque nenhum dos outros tinha um pingo de honra –, a mãe de Landry intercede, conseguindo falar com o papa, que não hesitou em revogar a punição do mestre. O mistério que convenceu o papa fica no ar. Se eu não estiver enganada, pela reverência absurda que o papa rende a quem não hesitou antes em condenar, Landry é o próprio Graal – um pouco de Código Da Vinci na trama. – Se esse for o caso, eis o ponto fraco do roteiro, pois o tal mistério não ficou nada latente.

MINHAS CONSIDERAÇÕES: Uma adaptação histórica que fugiu do contexto e deixou a história de lado. Tirando o misticismo em torno do Graal, todo o resto é digno de raiva. Desde a hipocrisia dos católicos até as lutas e os cenários repetitivos. Os episódios são um tanto enfadonhos, tendo uma cena ou outra que realmente prende nossa atenção. Se você busca apenas entretenimento sem informação, pode ser que ature a primeira temporada. Se busca por uma série com ação e lutas épicas, afirmo que é perda de tempo. Tudo que vai encontrar é uma batalha ou outra, sem muita ação. O romance corre solto, tirando o foco de todo o resto – diferente de The Last Kingdom, onde o romance ficava em segundo plano; isso quando aparecia. – Porém, se você é como eu, que gosta de assistir apenas para ter o prazer de apontar os erros e, depois, criticar, delicie-se, porque essa é a parte divertida de Knightfall. Eu avisei que minha relação com a série é de amor e ódio. O assunto Graal é instigante, e a atuação de Simon Merrells vale a pena. O ódio fica por conta de todo o resto. Como sou mais teimosa que uma mula empacada, assistirei a segunda temporada, quero ver até onde isso vai dar. Recomendo? Não!

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