terça-feira, 4 de julho de 2023

Diário de Escrita: Liberos Ignis 2



Essa época foi mesmo intensa. Fiquei totalmente reclusa, introspectiva, perdida entre pesquisas e escritas, falando somente com a equipe que me ajudava nas buscas de informações e na montagem do roteiro. Liberos Ignis, tal como o próprio título da série sugere, foi meu fogo liberto. Eu incendiava a mim mesma, e tive medo de queimar quem se aproximasse. As palavras desse diário são cruéis, um tormento que precisei encarar mais uma vez para vencer as chamas que voltaram a me assolar. Sim, ainda há fogo em mim, e jamais vou aprisioná-lo, pois é como um pássaro livre, mas que agora sabe onde pousar, pois há um Espírito Superior que me guia. Uma águia treinada, nunca acorrentada... wild and free!

Terça feira, dia 12 de setembro de 2012.
É incrível como vemos, na hora em que mais precisamos, quem realmente pode ser chamado de amigo. Sumi do mundo, mas ainda estou ligada a ele pela minha caixa de e-mail, pois esta é a minha principal fonte de comunicação com meus colaboradores, minha equipe. E, dentre tantas notificações de redes sociais e mensagens realmente importantes, cliquei na errada. O que eu li me chocou. Bem, talvez nem fosse para tanto, mas o que dizer quando a gente respeita, gosta e sempre apoia um amigo? Então, eu sumi... E qual mensagem ele me envia? “Quer saber? Foda-se”.

Tudo bem, amizade escoando pelo ralo, vamos apertar da válvula de descarga, porque a vida é um grande sistema de saneamento básico, e as merdas a gente manda para o esgoto. Como diria o peixinho do filme do Nemo, todo esgoto vai dar no mar mesmo...

É nessas horas que eu me pergunto: Os cristãos praticam mesmo o bem e o mandamento deixado pelo Mestre? Porque não os vejo amando uns aos outros e nem ao próximo como a si mesmo. Dane-se, eu também não pratico esse altruísmo na maioria das vezes... Mas não me declaro santa, em momento algum!

Isso também não importa. Se esse é o preço que devo pagar pela minha dedicação a esse projeto, está de bom tamanho. Melhor conhecer agora quem são meus inimigos do que depois, quando já seria tarde demais.

Estou surpresa comigo mesma. Tudo bem que minha equipe tem trabalhado dobrado para me ajudar, mas hoje foi o segundo dia de escrita após o longo e cansativo período de pesquisas. E Apócrifos já tem 72 páginas prontas.

Sinceramente? Não sei o que está acontecendo. Deve ser o stress, mas, às vezes, tenho a impressão de que tem alguém soprando em meu ouvido tudo o que deve ser escrito. Nos raros momentos que tiro para um cochilo de meia hora, sonho com Liberos Ignis... em sequência... sempre com a próxima cena.

Sim, deve ser o stress. Porém, se eu enlouquecer ao término dos 24 livros, sei que terá valido cada momento de insanidade.

E é melhor estar louca no instante em que o mundo ler e decidir me crucificar. Porque, acreditem, vão querer instalar a nova inquisição depois que esse fogo for liberto.

Dane-se. Como diria a minha caçadora: já caí uma vez e me levantei, mas aquela foi minha última queda!

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