O toque suave, a calma, a segurança, a delicadeza de mãos grandes e pesadas, o tato que nunca senti. Teve romance, houve magia, foi... humano. Não queria perder isso... Mas ele estava certo, não poderia transformá-lo em um predador sedento de sangue. Esse momento era especial justamente porque não seria eterno. Clichê, piegas, humano, angelical. Éramos o impossível da realidade que se tornava possível.
| Nova Ordem - Série Filhos do Pecado Vol. 2 - Vanessa Araujo |
— Resgatada —
Dói, machuca, maltrata.
Um coração sofrido,
Uma vida desfeita pelas decepções.
Tudo é fingimento,
A falsidade que corrói,
A dor que afunda.
Por que continuar?
Não há motivos para isso.
Desistir é para os fracos?
Saber a hora certa de jogar é para os fortes.
Virar as costas,
Simplesmente me trancar em meu mundo e chorar.
Deixar as lágrimas lavar a alma.
Deixar o sonho acontecer somente em pensamentos.
Por que eu achei que isso importaria?
Por que vivi a triste ilusão de que era merecedora de tal bênção?
Por que eu acreditei?
Porque ele acreditou em mim.
Porque ele viu algo digno de ser admirado.
E onde está esse dom?
Onde se escondeu meu prêmio, que não o encontro?
Olho dentro de mim e só encontro lágrimas...
Elas são tantas que transbordam sem parar.
Era o único caminho,
A única chance,
A solitária meta que tracei para mim.
Agora, ergo a cabeça e enxergo a triste realidade,
Estou perdida em um mundo em que mal conheço,
Inconsolada, afogada no meu desespero.
Tentando encontrar sua voz,
Tentando enxergar o caminho em meio a névoa da decepção,
Com os olhos marejados e o coração despedaçado.
Amparo-me na mão que me é estendida,
Aqueço-me no calor de seus braços,
Busco o entendimento que fugiu de mim.
Eu choro.
Choro porque sinto.
E as lágrimas secam quando ele diz:
“Você já me ganhou”.

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