domingo, 8 de outubro de 2023

Bem Estar: Resiliência - Parte 1: O Deserto

 


Esse texto ficou tão intenso que acabou me inspirando na escrita do volume quatro da série Filhos do Pecado, Nefesh, colocando a protagonista atravessando o mesmo deserto que precisei cruzar em um dos momentos mais críticos da minha existência. E como uma resiliente experiente, trago o assunto para, quem sabe, ajudar outras pessoas a fazer essa travessia de vitória, como a voz que apoia e eleva a moral. Você chegou até aqui por um trauma, um abuso, uma violência, uma traição, uma decepção, uma queda financeira... Bem, é óbvio que o motivo importa, porém, a grande questão é: você quer continuar onde está? Ou prefere descobrir como juntar os cacos de forma que nem mesmo as rachaduras apareçam? Tudo nesta vida é uma questão de decisão. Se existe abuso, é porque nos deixamos abusar. Chegou a hora do NUNCA MAIS! Vem atravessar esse deserto!

Muitos já conhecem a minha história, sabem dos traumas que sofri, assim como outros tantos me perguntam o que fiz para reverter as cinzas em asas que me alavancaram e me fizeram ganhar os céus. A resposta é: eu saí de mim, entreguei-me à Cristo, Ele me levou a me ver de fora, eu não gostei do que vi e decidi deixá-Lo limpar aquela bagunça. Jesus me fez entender que eu era mais... mais que cinzas, mais que calúnias, mais que um imbecil sexualmente insano que não era capaz nem de controlar seus instintos maléficos. E sendo mais, eu quis mais. A lama é para perdedores, eu não pertencia àquela sujeira, fui jogada ali. Foi minha decisão aceitar Jesus, segurar Sua mão, fazer meus sacrifícios e sair dali.

Foi fácil? Não! A lama pesava, meus passos eram arrastados e quase me fizeram desistir. No entanto, depois de alguns pesados e dificultosos passos, ainda que a distância de onde eu estava para a lama parecesse curta aos olhos alheios, a minha trajetória foi enorme naquele momento. Então, motivei-me a continuar. Olhei para frente e quase me assustei com o que me aguardava... um deserto, uma terra seca, dura, inóspita. Eu não queria morrer na lama. Sendo assim, decidi atravessar o deserto. O sol escaldante secava a lama no meu corpo, tornando o peso ainda maior, “calcificando” meus movimentos, endurecendo aquela mistura de lixo, de esterco, de barro, de água... e as noites escuras e gélidas também não colaboravam. As lágrimas brotavam como um dique nos meus olhos, e escorriam como cachoeiras pela minha face. O medo me assolava, eu escutava todas as vozes que um dia me difamaram ecoando ao meu redor, era como se o vento assobiasse cada afronta que me destruiu... Clamei por ajuda, uma ajuda que parecia nunca chegar... e nem poderia, afinal, o deserto da alma, apesar de ser o mais inexorável e excruciante, é a prova de fogo que nos leva ao melhor prêmio de todos.

“O prêmio!” – minha mente exclamou, arrancando-me do torpor que me assombrava. – “Lembre-se do prêmio, do que te espera” – tornou a alertar. – “O prêmio vale mais que a lama dos derrotados, os resilientes são mais fortes, e tudo que até aqui te trouxe jamais te abalará novamente. Não deixe que palavras ao vento tirem de ti o prêmio”.

Não, não podia! E eu não deixaria, porque compreendi o propósito de tudo!!! O sol (perdão de Deus) queimava a vergonha, exterminando-a. A lama seca ( afronta rebatida com a Palavra de Deus) formava um arnês que me fortalecia. O peso que dificultava meu caminhar (julgamento alheio versus esconderijo do Altíssimo) tonificou meus músculos. A noite gélida (fé sábia e definida) me fazia mais fria, mais racional e menos emocional. O prêmio (salvação da alma) valia mais que o vale dos derrotados. No entanto, antes de prosseguir determinada, ainda pairava uma dúvida no ar: por quê ninguém me ajuda? Ora, a resposta era óbvia... ninguém neste mundo podia sentir minhas dores, calcular o peso da minha vergonha, fortalecer meu âmago. O deserto é realmente a prova final... e precisa ser atravessado sozinho. E aqueles que me amavam só podiam esperar por mim na linha de chegada, com os suprimentos necessários para minha rápida reabilitação e meu retorno surreal. Eu só segui... O prêmio valia a pena... E quando eu finalmente cheguei, percebi que nunca estive sozinha. A voz em minha mente era o Espírito Santo, apoiando-me, indicando o caminho. E é exatamente isso que posso fazer por você, posso te indicar o caminho até Ele, pois conheço cada milímetro desse deserto. Depois disso, Jesus será teu Guia, contudo, Ele não poderá jamais te carregar nas costas. É você quem precisa tomar a decisão de segui-Lo, de abrir os olhos e enxergar o prêmio, porque, acredite, ele vale a pena.

Um comentário:

  1. Deus te abençoe,gostei muito,eu também passei por um grande deserto,só quem não desiste consegue chegar do outro lado.

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