“Era uma vez um pequeno príncipe... que precisava de um amigo”.
Meu Pequeno Príncipe é autista. O mundo é complicado pela sua perspectiva. Portanto, fazer amizades é algo digno de aplausos, de festas, de um sorriso raro... uma conquista que, infelizmente, não dura muito. A criança autista que precisa enfrentar o mundo merecia um dia só dela. O Dia da Criança Autista. O mundo é cruel, e os pequeninos conseguem ter uma carga de maldade impressionante para criaturas tão novas. Acreditem, os maiores tormentos do meu Pequeno Príncipe vieram da infância, das maldosas crianças. Não, não são todos puros. Muitos já vêm contaminados com o preconceito.
Meu Pequeno Príncipe só queria um amigo. E que amigo seria esse? Um que o compreendesse, que não criticasse suas idiossincrasias, afinal, todos nós temos particularidades “esquisitas”. Nesse quesito, entra o amor. O amigo precisa amar, e não apenas aturar. Eis a questão... Por que somos capazes de amar os neurotípicos, e não suportamos os neuroatípicos? Pior ainda, a falta de entendimento, de amor, de compreensão nos conduz aos comentários esdrúxulos e pejorativos. Tal como coloquei nos livros da série Eclipse Sagrado, os “normais” criticam para se sentir superiores, pois autistas são super heróis excepcionais (dignos de destaque) na Terra.
“Para esses desprovidos de sensibilidade, era mais fácil classificar a perfeição plena como um erro genético que acatar a única e certa verdade: os humanos eram inferiores e ridículas criaturas diante de divindades ocultas pelas máscaras impostas. Autistas... Portadores de diversas síndromes... Besteira! Eles eram divindades incompreendidas pelo mundo imperfeito dos relés mortais”.
| Ocultos, Eclipse Sagrado – Volume 1 |
Bem, não estou aqui para repetir tudo o que sempre digo. Preconceito existe, isso é fato. Crianças não são desprovidas de maldade, muito pelo contrário, elas são tão dotadas de sentimentos ruins quanto nós. Crianças nascem como chip limpo, e nós plantamos os arquivos que queremos, roubando-lhes a inocência com softwares desnecessários, como preconceito, racismo, machismo, uma estrutura que os conduz ao erro e à intolerância.
“Diagnosticado como autista, o menino sofria com o preconceito e a incompreensão do mundo ao seu redor. A falta de informações transformava a condição de Alec em algo parecido com doença altamente contagiosa. Os pais afastavam as crianças de sua companhia, e relacionar-se de qualquer forma com o aluno “retardado” teria um penoso castigo como consequência”.
| Ocultos, Eclipse Sagrado – Volume 1 |
Hoje, no Dia das Crianças, quero deixar registrado meu carinho pelos pequeninos, típicos e atípicos, todos eles... sendo como são... E deixo um clamor aos adultos: Por favor, mantenham a inocência das crianças, não maculem sua pureza com todos os “ismos” que nós, adultos maldosos, inventamos para elevar nossos próprios egos. Deixem que eles escolham seus caminhos, e que sejam livres para amar seus amiguinhos em suas mais diversas cores e visões. Porque existem muitos Pequenos Príncipes e Princesas... e eles só precisam de amigos.
Feliz Dia das Crianças!
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