quarta-feira, 24 de maio de 2023

Crônica: Pis Aller, Jogo Arriscado

  


"Qualque pesssoa pode fazer história, mas apenas um grande homem pode escrevê-la".

| Oscar Wilde |

Onde estão nossos demônios? Guardados no mais profundo de nossas almas, talvez... Ou habitando ao nosso lado, sempre sussurrando asneiras em nossos ouvidos, instigando-nos ao erro. Sim, todos nós temos uma dose maquiavélica de poder destrutivo no âmago, porque não há cem por cento de bondade em ninguém, assim como não existe maldade plena. É como o ego, tendo que enfrentar as sugestões maliciosas do ID e a ponderação racional do superego, anjo e demônio combatendo, cada um lançando seu pis aller, um movimento arriscado, aquilo que pode desencadear o xeque-mate ou se tornar a pior jogada.

O fato é que nos deixamos levar, na maioria das vezes, por esse inferno que nos ronda. Em certos momentos, batemos no peito e gritamos nossas indignações. Em outros, bradamos por justiça, argumentando o tamanho da nossa bondade... Bondade? Ora, essas tais indignações não passaram de taxação, julgamentos feitos pelos dedos que apontamos. E os réus das nossas inquisições abaixam suas cabeças. Humilhados, entregam-se ao pranto que não é testemunhado por ninguém. Fraqueza? Eu chamaria de recuperação de forças,resiliência. Afinal, todos precisam recarregar as energias para as novas batalhas. O problema é que muitos daqueles por nós sentenciados desistem. Novamente, pergunto: Fraqueza? Ou estratégia de sobrevivência?

"O mundo não está ameaçado pelas pessoas más, e sim pelas que permitem a maldade".

| Albert Einstein |

Quantas desgraças provocamos com um simples – e maldoso – comentário? Quantas vezes destruímos preciosos talentos por um maldito recalque que assolou nossas almas? Inveja, ciúme, complexo de superioridade... Eis o nosso “pis aller”, o pior lado da personalidade humana, a última jogada para desbaratar uma adversidade que só existe em nossas mentes. Mal sabemos que nós é que somos destruídos com tão errônea atitude...

Falamos de perdão em nosso discurso mais hipócrita, quando, na verdade, tudo o que guardamos no coração são mágoas – que são expressas em deliberadas indiretas nas redes sociais.

Quantas vezes instigamos o caos para tirar o peso de um pecado dos nossos ombros e jogá-los nas costas alheias?

Proferimos apoios e desejos de sucesso e felicidade, que nunca realmente existiram, porque, no instante em que mais precisam, nossas mãos não estão ali, estendidas para socorrer. Porém, as gargalhadas são plenas, sonoras, irritantes até mesmo aos ouvidos dos nossos demônios.

Quantas vezes inventamos desculpas esfarrapadas para dizer um não que poderia ser um sim?

Proclamamos a paz e travamos guerra com os supostos inimigos – um tanto imaginários, sendo que tal inimizade só ocorre em nossas mentes deturpadas.

Quantas vezes magoamos pessoas inocentes só porque acreditamos nas coisas que nossos demônios diziam?

E ninguém vê? Todo mundo enxerga essas injustiças. Contudo, lutar contra é como ser uma formiga diante de um séquito de gigantes... Não se esqueçam de que Davi derrotou Golias com apenas uma pedra, apenas uma dica!

"Sofremos muito pelo pouco que nos falta e gozamos pouco o muito que temos".

| William Shakespeare |

Já dizia o ditado: Se conselho fosse bom, seria vendido. Ainda assim, arrisco advertir... Sábias foram as palavras de Shakespeare, o poeta das tragédias... Reclamamos do que nos falta e, com isso, não aproveitamos o que temos.

O mundo literário é cruel, repleto de lobos dispostos a devorar quem se sobressai. Não vou me eximir de culpa, até porque, mesmo que quisesse, não conseguiria. Meus odiadores fizeram minha fama. Claro que minhas atitudes – algumas delas, que fique claro – muito contribuíram para eles se deleitassem e tripudiassem no meu – suposto – túmulo. De acordo com a maioria, me tornei a diva mor demoníaca. Porém, tenho um lado angelical – Que isso, B-Fly? Mantenha sua reputação de bruxa má do oeste! – Sim, socorro e apoio quem precisa – entendam: quem merece. – Porém, isso nada conta ao meu favor, pois os atos errôneos geram mais ibope que os bondosos, que, quase sempre, são executados nas sombras, sem testemunhas. Para ser sincera, até prefiro que assim seja, acho que já me acostumei a ser a "rainha das trevas" que o povo rotulou – Elvira, roubei teu trono! – Contudo, eis algo que ninguém pode negar: meu talento. Admitam, sou ótima criando uma história. É nisso que me foco, é nisso que me deleito. E procuro esquecer o que não tenho, porque cansei de sofrer por baboseiras que não me levavam a lugar algum. Pesando na balança da vida: fama e reconhecimento versus Deus, marido, família, carreira, talento, inteligência, amigos sinceros, filhos maravilhosos, um lar... Ok, o “tenho” vence de lavada do que “me falta ter”. Sendo assim, seguimos em frente e “vambora” ser feliz, porque atrás vem gente!

"Sabemos o que somos, mas não sabemos o que podemos ser".

| William Shakespeare |

E o conselho? Ora, vamos nos focar em nossos objetivos e deixar a vida alheia de lado. Aliás, falando de conselho, recebi um – na verdade, foi uma indireta postada no Facebook. Não sei se foi para mim, mas a carapuça me serviu. E por que não vesti-la de vez? Sou humilde o suficiente para dizer que a advertência fez efeito, pena que tal pessoa é do tipo “faça o que digo, mas não faça o que eu faço”. – Certo, explico... Uma semana após o lançamento de Ocultos – volume I da série Eclipse Sagrado –, em Outubro de 2014, publiquei um fato em uma das minhas redes sociais – nem preciso dizer qual, até porque todos conhecem a fábrica virtual de indiretas. – Eu estava feliz, e minha real intenção era compartilhar com os amigos as minhas conquistas, e não ostentar qualquer sucesso – sério mesmo, detesto esfregar na face alheia o que consigo com meu poder de persuasão (sentiram o sarcasmo?). – Após propagar minha publicação na porta da escola do meu filho, vendi diversos exemplares aos interessados. Essa foi minha postagem. E “alguém”, nos minutos seguintes, declarou algo mais ou menos assim: “Acho ridículo as pessoas gritando seus feitos na internet, isso se chama insegurança, ela precisa de aplausos para continuar” – aqui, faço um adendo para expor meus pensamentos...  Será? Porque nunca recebi aplausos, não com palmas. Porém, se formos falar de pedradas, aí, sim, recebi muitas! – Continuando... “Pare de compartilhar tudo o que se passa na sua existência. Aliás, saia desse mundo virtual e vá viver sua realidade”, findou a criatura.

Analisei suas palavras, refleti e concluí: Minha realidade era aquela mesma. No entanto, sair do mundo virtual era uma boa pedida, afinal, conforme diria uma antiga canção, quem nada sabe, sabe tudo da paz. Ajeitei as coisas com os meus parceiros e decidi aproveitar as férias dos meus filhos com muita diversão. Porém, antes de me retirar das redes sociais por um tempo, o que testemunho? Esse mesmo “alguém” postando sobre tudo o que supostamente acontecia em sua existência. Mais precisamente sobre sua carreira, seus frutos, seus ganhos, suas conquistas, seus espólios de guerra. Desculpa aí... Não sabia que a hipocrisia era mais permitida que a alegria de compartilhar um feito!

"Existem duas vidas, a que você vive e a que quer viver... E há uma insana conexão entre seu corpo e sua mente. Quando conhecemos o corpo, conhecemos também a mente. E o que acontece depois disso é simplesmente espetacular!... Ainda é tempo, faça a mudança".

| Jessie Pavelka |

Moral da história: É hora de mudanças. Este é o momento de deixar nosso “pis aller” de lado e seguir por um novo rumo. Vivemos isso, mas não é o que queremos. Sendo assim, demos nossas mãos e busquemos por aquilo que tanto desejamos, porém, sempre curtindo ao máximo tudo o que já temos. Porque a vida é curta demais para lamentos, para indiretas, para dedos apontados. Vamos olhar ao nosso redor, esquadrinhar nossas existências, nossas conquistas... Vamos sorrir! Juntos ou separados, não importa. Chega de indiretas, chega de julgamentos, chega de pré conceituar as coisas da maneira que nossa mente enxerga. Eu não quero o mal de ninguém, apenas luto pelo bem estar da minha família, e principalmente pela salvação da minha alma.

Pis Aller? Não mais, prefiro não arriscar. Quero apreciar o momento, apenas isso... Carpe Diem!

Texto de Vanessa Araujo. 
Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal.

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