Na página deste blog sobre os diários, eu disse que não publicaria o que havia escrito durante as minhas criações em tempos obscuros. Para ser mais exata, minhas palavras foram essas:
Não quero compartilhar o que foi escrito nesses tempos obscuros, preciso deixar o passado onde está, desenterrar o que vale a pena ser ressuscitado e enterrar para sempre o que não me serve mais. Só que ainda tenho muito a apresentar neste alvorecer de esperança e evolução que minha alma experencia.
Eu disse que precisava evoluir, mas não tem como evoluir sem enxergar os erros e consertá-los. Precisei encarar os demônios, e encontrei um mundo lindo atrás das trevas, onde a luz do sol iluminava com força, mostrando um talento oculto pelas sombras. O sol tem que dar lugar à noite para que um novo dia possa surgir e, assim, trazer uma nova era. Se eu gosto das minhas próprias criações, por mais furiosos que tenham sido os tempos de escrita, não posso dispensar os diários onde expurguei minha dor enquanto criava novos mundos.
Obviamente, seria enfadonho colocar todas as páginas de cada diário de escrita, porém, os pontos principais merecem destaque. Por tal motivo, inicio hoje a coluna quinzenal, que será alternada com as crônicas, que se chama Diário de Escrita, começando com alguns textos da época em que me prendia no mundo de Liberos Ignis. Reler esses textos foi como enxergar a mim por outra perspectiva. A fúria fez parte da minha história, e não existe história sem passado. Meu passado é rico de talento e pesado de ira, mas é meu, faz parte de mim, e agora o aceito. Corrigindo os erros, o celebro. Misturando as frases de Arelli com Eclipse Sagrado: Essa é a minha história, a minha vida, como tudo começou e como fiz uma nova era surgir no Mundo B-Fly...
Dia 11 de setembro de 2012.
As ideias chegaram como avalanche. De repente, tudo o que sei, todas as lendas, todas as crenças, tudo se encaixa, como um enorme quebra cabeça. O entendimento bateu como tijolada na mente, as coisas ficaram tão claras e límpidas que seria um pecado desperdiçá-las. Tudo era coerente e firme, com bases seguras, sei lá... É difícil explicar.
O fato é que preciso me afastar do mundo para colocar esse plano em prática, para avançar e fazê-lo tomar vida, ganhar forma, ser real.
Tantos mitos, tantos escritos... A pesquisa ainda não terminou, apesar de tudo o que fiz até agora ter sido longo e cansativo.
A vontade de chorar é imensa, porque vi que as pessoas que precisavam de mim estavam gritando por apoio. E os que não precisavam mais, nem sentiram minha falta. Bem, isso não importa, minha parte foi feita, missão cumprida e bola para frente.
Nem sei por que ainda insisto nisso... Escrever pode não ser minha praia, mas é meu vício maior.
Sim, a vontade de chorar é grande! E eu nem sei por que...
Não é desânimo. Se essa nova história será publicada ou não, nem me importo. Publicação é vaidade inútil. O necessário é saber que sou capaz. Porém, desta vez, minha luta não será sozinha, arrisquei-me a compartilhar a ideia com a minha melhor amiga de todo o sempre, sei que seu talento vai fazer tudo valer a pena.
E que imensa vontade de chorar!
Parece loucura! Acho mesmo que sou louca... Quem mais inventaria uma série de 24 livros? Mais de duas dezenas de volumes. Não sei onde estou com a cabeça... Entretanto, não posso permitir que as ideias morram, que virem fumaças. Se vai dar certo ou não, só o futuro dirá.
Um dia, li uma frase, nem lembro aonde, que dizia o seguinte: “Prefiro as lágrimas de ter perdido a vergonha de nunca ter tentado”. Acho que é isso que sinto.
Sei que muitos não acreditam em mim, nem me dão crédito ou confiança. Muitos não enxergam meu dom. Talvez nem eu mesma enxergue. Preciso me enclausurar e me concentrar, buscar a escritora dentro de mim e juntar todas as ideias, provar que estou certa, que tudo tem fundamento, coerência.
No fim, quero mesmo o meu Liberos Ignis, quero minha vida, quero meu dom, quero eu dentro de mim.
O mundo gira, fico confusa.
Guerreiras choram. Depois secam as lágrimas e seguem na luta pela vitória. E a vitória, para mim, não é vencer, é terminar.
Volto para meu clausulo e me concentro. Pode ser loucura, mas essa história vai existir!
A vontade de chorar passou.
Líberos ignis. Meu fogo liberto!

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