segunda-feira, 4 de setembro de 2023

Biográfica: Quid pro Quo

 


É difícil falar de mim mesma, tal como é difícil admitir nossos erros. As pessoas enxergam o que permitimos, principalmente quando trancamos o passado e o deixamos lá, enterrado no mais profundo almoxarifado da alma. Eles não sabem o quanto sofremos. Tentei reagir, e foi difícil mover qualquer músculo no início. Fui julgada, e ainda sou, por pessoas que nunca calçaram meus sapatos de ferro e não fazem ideia de como meus pés doeram a cada passo galgado. Não sou vingativa, saí dessa fase. Porém, preciso reassumir meu quid pro quo, isso por aquilo. Se querem algo, façam por merecer, porque eu mereci as novas vitórias dadas por Cristo Jesus, e agora estou em paz. Resgatei esse texto, escrito em 2015, em tempos de fúria. Cerceei as arestas e retirei a ira, deixando apenas a sabedoria. Como diria minha avó, quem muito abaixa, mostra o que não deve. Parafraseando meu adorável fanfarrão:  princesas não abaixam a cabeça, porque a coroa não pode cair... 

O engraçado foi ver, nos últimos dias, as pessoas falando que tinham que tomar cuidado comigo, precisavam temer meus atos. Ora, façam-me o favor... Isso é um tanto irônico, sendo que uma dessas pessoas se mostrou astuta e insidiosa, com a língua mais viperina que de uma cascavel! Ok, sem ressentimentos, estou tentando abolir isso da minha vida. Porém... Ah, como eu queria gritar para que essa Fulana deixasse a hipocrisia de lado... Mas não o farei. Assim como paguei pelos meus pecados, espero que ela caia em si e compreenda os seus. E espero que se lembre de mim quando for vítima das mentiras alheias, que nunca se esqueça das calúnias que levantou contra quem lhe foi fiel.

A verdade é que todos encontraram em mim uma válvula de escape, uma lata para despejar o lixo de suas almas e queimar os arquivos dos seus próprios pecados. Mas não me importo, pois já estou acostumada. Só fico me perguntando o que acontecerá com essas pessoas quando a queda os atingir... Será triste e, mesmo que não acreditem, minha mão estará estendida para socorrê-los.

Enfim, estou aqui para falar de mim, e não da vida alheia – apesar de que o assunto é praticamente meu nome na boca deles. – Estava me perguntando mais cedo se tudo o que aconteceu foi bom. Acho que sim, porque aprendi a tirar proveito das situações. Se me lançam pedras, é com elas que construo meu castelo e minha fortaleza. Se me atiram limões, compro o açúcar e faço uma limonada. Contudo, não acho a vida tão azeda assim, pois ainda existe o melhor açúcar da humanidade: o sangue de Cristo derramado na cruz.

Como disse em outra postagem, vivo uma aventura desde que nasci. Minha vida não foi fácil, e não contei nem metade de tudo o que passei. E também não importa, as dores são minhas e foram vividas por mim. As cicatrizes estão aqui, sempre latejando para que eu nunca me esqueça delas e as tome como exemplo do que não fazer, além de usá-las como testemunho de onde Deus me tirou. 

A escrita é uma fuga? Talvez... Assim como pintar um quadro ou criar uma nova canção. É o momento em que me retiro do mundo real e me entrego de corpo e alma ao imaginário. Tirando os erros, gosto do que sou, de quem sou, de quem posso ser. Gosto de mim. Sim, o balanço final não é tão ruim quanto parece. Aliás, quem mais teve a coragem de viver o que vivi? Espero que muitos, porque, sem dúvida, foi emocionante.

Sabe... Não prejudiquei as pessoas. Não como dizem. Pelo contrário, ajudei muita gente, dei meu apoio total e incondicional. Poucos favores pedi. Mas essa é a vida que vivemos, e não devemos nos lamentar por nada. Não quero viver à sombra do “e se?”... Não... Quero mais que isso, quero a lembrança do “foi assim”.

Quem sou eu, afinal?
Uma contadora de histórias. Nada mais que isso. E para quê mais? Está bom assim.

Quem sou eu?
Vanessa Araujo, uma mulher com quarenta e seis capítulos de vida, serva do Deus vivo, esposa de um marido maravilhoso, mãe de três filhos lindos, poliglota, jornalista, escritora, confeiteira, apaixonada por música e literatura, com uma carga pesada para carregar, mas que não foge da raia.

Quem sou eu?
A autora de Arelli, de Glaz Orla, de Eclipse Sagrado, de Loucamente Apaixonados, de Liberos Ignis, de Sinai, de Filhos do Pecado, de tantos títulos...

Quem sou eu?
Uma pessoa que encontrou Jesus e que agora é feliz. Mas eu tive que entregar algo precioso a Ele: a minha vida.

Quid pro quo. Carpe diem!

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Texto de Vanessa Araujo, postado em 05 de Agosto de 2015, no Blog Quid pro Quo.

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