“E, de repente, não estou mais sozinha na névoa. Jesse está comigo, segurando minha mão. Não sei se é o calor dos seus dedos ou a gentileza do seu sorriso que afasta o temor, mas, subitamente, estou convencida de que tudo vai ficar bem”.
FICHA TÉCNICA
• Título: Assombrado
• Autora: Meg Cabot
• Série: A Mediadora, Volume 5
• Editora: Galera Record
• Edição: 2009
• Páginas: 239
• Formato: 14 X 21 cm
• ISBN: 978.85.01068.38.5
• Gênero: romance sobrenatural/literatura juvenil
• Tradução: Ivanir Alves Calado
SINOPSE: Suzannah passou o último verão no Peeble Beach Hotel and Golf Resort. Não, ela não estava hospedada com os ricaços. Em vez disso, tomava conta dos filhos deles. Foi assim que ela conheceu Paul Slater. Suze era a babá do irmãozinho dele, Jack, e Paul se encantou por ela. Mas é claro que quando um garoto bonito aparece em sua vida as coisas não podem simplesmente dar certo. Assim como Suzannah, os irmãos Slater são mediadores, eles têm o dom de se comunicar com os mortos. A única diferença é que o pequeno Jack ainda não sabe lidar com isso, enquanto Paul sabe até demais, e acabou se revelando um garoto realmente cruel. Mas todo esse pesadelo acabou junto com as férias de verão. Ou era o que Suzannah pensava. Parece que tudo que ela mais temia agora pode se tornar realidade. Paul está de volta à Carmel, e dessa vez para ficar. Ele é o novo, e já popular, aluno da Academia da Missão Junípero Serra. Embora o padre Dominic acredite que o interesse do rapaz é puramente acadêmico, ela não pode dar a Paul esse voto de confiança. E não está enganada. Paul não deixará Suzannah em paz até convencê-la a se encontrar com ele. Em troca, ele poderia esclarecer muito sobre ser um mediador. Como saber mais sobre o dom é uma grande tentação para Suzannah, mais uma vez ela se verá em apuros. Mas agora não poderá contar com a ajuda de Jesse, o fantasma que vive em seu quarto e por quem ela é apaixonada - e parece ser correspondida. - Certo, eles já são quase namorados. E se Jesse souber que Paul está incomodando-a, é capaz de cometer uma loucura. Afinal, Paul tentou exorcizá-lo e quase matou Suze no último verão. Que mistérios Paul Slater esconde? Será que vale a pena se arriscar tanto para descobri-los? Assombrado é o quinto volume da série A Mediadora. Um romance sobrenatural repleto de mistério, paixão e aventura.
“Jesse gostava de alguns dos livros mais chatos que a humanidade conhecia. Talvez fosse por isso que não estava reagindo a mim. Quero dizer, não do modo como eu queria. Porque eu não era suficientemente chata".
ASPECTO FÍSICO: Na capa desse volume, vemos um par de pernas envoltas em fino véu cor de rosa. Quando a vi pela primeira vez, foquei minha atenção nos pés, e me perguntei: Por que, editores? Basta ler para entender. Sim, os pés ganham destaques no enredo. No caso, os pés esculachados e destruídos da protagonista, após uma longa caminhada – a princípio, com sapatos novos que calejam seus dedos; depois, descalça sobre o asfalto quente. – E esses pés, depois da longa e extenuante jornada, recebem cuidados especiais. Amo quando a capa tem sincretismo com o enredo. A edição foi confeccionada em brochura, no formato clássico, 14 X 21 cm. Desta vez, não tive sorte, pois as últimas páginas começaram a se descolar durante a leitura. Sim, tenho a coleção A Mediadora há cerca de dez anos. Porém, esse volume foi o único que passou a se desmantelar nas mãos. A diagramação segue o mesmo estilo dos números anteriores. Sendo assim, para não ficar repetitiva, abstenho-me de mais comentários.
“Eu me derreti no seu abraço, pensando que finalmente, depois de tanto tempo, poderia revelar meus verdadeiros sentimentos, o amor secreto que senti por ele desde o minuto - bem, pelo menos quase - em que entrei no meu quarto novo e descobri que o lugar já estava ocupado. Não importava que o ocupante tivesse respirado pela última vez há mais de um século e meio".
ENREDO: As férias acabaram e as aulas recomeçaram. Com um guarda roupa novo – conquistado com o salário e as gorjetas do trabalho como babá no Pebble Beach Hotel and Golf Resort –, Suze está pronta para desfilar suas aquisições na Academia da Missão. O problema é que seu desfile perde o destaque com sua cara de pamonha diante do novo aluno, ninguém menos que Paul Slater, o idiota que quase a matou, prendendo sua alma – e a de Jesse – na Terra das Sombras. Embasbacada, Suze luta para atinar os sentidos diante dessa surpresa – nada agradável – e formular respostas plausíveis aos ataques verbais debochados de Paul. Assim que tem a oportunidade, Suze corre até a sala do diretor – padre Dominic, seu amigo mediador – e exige explicações. E se impressiona ainda mais quando até mesmo o padre Dom fica sem entender. Quando ele liga o nome à pessoa, tenta explicar à Suze que é preciso ter paciência com Paul, tentar conduzi-lo ao rumo certo na mediação, livrando-o dos conceitos torpes que o rapaz gerou com esses “poderes”. Relutante, Suze aceita o conselho do padre Dom e se esforça na simpatia que desprende a Paul. Porém, ela não consegue se esquecer de tudo que ele a fez passar, principalmente porque revive esse tormento todas as noites, quando os pesadelos a assolam. Em certo momento, Paul a instiga, dizendo que tem muito mais a ensinar a Suze sobre mediação do que sugere o padre Dom. Curiosa, nossa divertida protagonista aceita o desafio, e não se arrepende. Bem, não por completo. De certa forma, Paul estava certo, ele tinha mesmo muito a ensinar sobre mediação. Começando com o fato de que ambos não eram apenas mediadores, e sim, como passam a chamar, deslocadores. Ou seja, tinham o poder de transitar entre os mundos. Com muitas provas do que diz, Paul ganha a atenção de Suze, e essa atenção a perturba. Apesar da súbita popularidade na escola, o interesse de Paul é na protagonista marrenta. Ele investe, beijando-a... e sendo correspondido. E isso a perturba, pois, além de não comentar com Jesse sobre o novo aluno, Suze passa a viver uma discrepância de sentimentos. Por um lado, ela deseja Paul, afinal, sua beleza a atrai. Por outro, seu coração foi entregue a Jesse, que, depois do beijo, afastou-se de Suze, deixando-a em dúvida sobre o que o desencarnado sente por ela. Nessa discrepância, as aventuras se desenrolam, com cenas românticas, engraçadas e cheias de suspense.
"Eu deveria saber, acho, que não era uma boa se apaixonar por um fantasma. Mas esse é o negócio com os mediadores. Para nós, os fantasmas têm tanta matéria quanto qualquer ser vivo. A não ser pela coisa imortal, não havia motivo no mundo para Jesse e eu, se quiséssemos, não termos o caso tórrido com o qual eu vinha sonhando".
ESCRITA: Fugindo dos padrões, esse volume se inicia com uma espécie de prólogo. A autora nos conduz ao pesadelo de Suze, ao terror que ela vivenciou na Terra das Sombras, quando Paul a prendeu lá junto com Jesse. E esse prólogo justifica o pânico da, então, destemida mediadora ao se deparar com Paul Slater como novo aluno. Um tiro certeiro, pois não mexeu com a personalidade da protagonista, apenas a tornou mais verossímil. Um convidado especial surge no elenco: Neil Jankow, amigo de Jake – Soneca – que vai jantar na casa dos Ackermans, e Suze percebe que o rapaz tem um acompanhante sobrenatural, um espírito bonitão: Craig. Ao contrário dos desencarnados que atravessam o caminho de Suze, Craig não é um espírito exatamente revoltado. Ele está confuso, frustrado. Por um momento, quando começa a entender o que sua alma pode fazer, Craig se torna uma leve ameaça. Fora isso, é um rapaz simpático, com tiradas irônicas, divertindo as cenas onde aparece. Voltando ao X da questão, Paul mostra a Suze uma reportagem de 18 de Junho de 1952, sobre o Dr. Oliver Slaski e sua conclusão de que no Egito Antigo havia um pequeno grupo de xamãs que se deslocavam, viajando pelo mundo dos mortos. Deslocadores. Então, Suze cita novamente o Arcano Nove, O Eremita, comparando-o com um deslocador. Levando em conta que o Tarot é uma criação egípcia, faz total sentido. Ou seja, é nítido que a autora sabia o que estava fazendo. Ainda que não tenha aprofundado o assunto no enredo, afinal, trata-se de uma série adolescente, divertida, leve... toda a trama ficou bem encaixada. Cabot fez sua lição de casa, pesquisou, inteirou-se do assunto e, então, com a suavidade que o gênero pede, jogou as informações necessárias para ligar as pontas e não deixar nada solto. E isso, obviamente, a sufragou como escritora digna de aplausos – porque, convenhamos, é muito difícil encontrar autores tolhidos na medida certa. Ou são prolixos demais (como eu) ou apenas pincelam o assunto, jogando-o na berlinda e deixando-o ali, ao léu, sem uma conexão sequer. Meg Cabot sempre sabe o que faz, e é isso que nos surpreende a cada nova aventura.
“Ele vai te levar ao baile de formatura? E ao cinema? Vocês vão ao cinema juntos? Quem dirige o carro? Quem paga?... Além disso, se os dois fossem realmente certos um para o outro, você ao menos estaria aqui? E estaria me beijando, como beijou há um minuto?”.
GRAMÁTICA: Não sei mais o que dizer neste tópico. A série é boa. Na verdade, é ótima! Merecia uma revisão digna, uma atenção especial. Mas não foi o que nós, leitores, recebemos. Erros de gramática, de concordância, de pontuação... são tantos que se torna difícil alistar. Aliás, desisti de anotar os erros e me deixei levar pela leitura. Porém, não posso negar minha tristeza pelo descaso que a editora teve com a tradução e a revisão da obra. Deixo aqui apenas uma das minhas inúmeras anotações nesse quesito: Página 52, segundo parágrafo: "dava para ver que a décima primeira SÉRIA seria" – erro de digitação, entendo. Contudo, uma falta de atenção da equipe de revisão. Sério, essas pessoas ganham no mole, porque não vi trabalho realizado nesse sentido. Um erro ou outro = passível. Muitos erros = descaso.
NOTA FINAL: Esqueçam a tradução mal feita e a revisão inexistente. Prendam-se no enredo, na divertidíssima trama criada por Meg Cabot, porque, afirmo com veemência: vale a pena. É uma leitura rápida, fluída, gostosa. Somos arrebatados ao enredo, conversamos com Suze, vivemos e sofremos com ela. Chegamos ao ponto de nos perguntarmos por que A Mediadora ainda não foi parar nas telas. Aplaudido. Altamente recomendado!
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